Love is always the answer

Novembro ainda só vai no seu nono dia e parece já ter bastante para contar. Hoje, acordámos num mundo completamente diferente daquele em que adormecemos ontem. Hoje, acordámos com o medo no coração, com o choque estampado no rosto, com a incerteza do que aí vem a inundar-nos o cérebro. Hoje, acordámos com a notícia de que Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América
Há 27 anos, caía o Muro de Berlim. Caía o símbolo do ódio que separou uma nação, que matou, que humilhou. Caía a parede de betão construída por um homem com sede de poder e conquistava-se a liberdade. Celebrava-se o amor, a paz, a compaixão entre seres humanos iguais que tinham sido obrigados a esquecer-se desse facto. 
Irónico que, no dia em que devíamos recordar-nos desse tão belo acontecimento, tenhamos sido obrigados a considerar a possibilidade de voltarmos a viver num mundo em que a liberdade de acção, de pensamento e de expressão não fazem parte dos direitos fundamentais de cada pessoa. Tudo porque nos esquecemos muito facilmente da História. Adormecemos nas aulas, porque achamos aborrecido, inútil, passado. E depois cometemos estes erros. Acreditamos em alguém vazio de sentido, que joga com as nossas emoções, com a nossa falta de memória. Acreditamos em alguém que nos promete a resolução imediata dos nossos problemas utilizando um discurso simplista e básico, sem nos preocuparmos em ler nas entrelinhas. Ignoramos o discurso racista. Ignoramos o discurso sexista. Ignoramos o ódio no coração. Ignoramos a falta de sentido, de provas, de noção. Confiamos cegamente porque temos medo. E vamos atrás sem ouvir aquilo que realmente nos está a ser dito.
Hoje, recordaram-se esses discursos e essas promessas, como a de construir um muro de betão, igual ao outro, aquele que caía há 27 anos atrás. Hoje, recuou-se no tempo e questionou-se o mundo. Hoje, escreveu-se História. Resta esperar que os nossos piores pesadelos não se tornem realidade. Resta esperar que este seja apenas um curto e inofensivo capítulo dos livros da escola dos nossos filhos, mas que os ajude a perceber que o ódio não é a resposta para o medo. O amor é a resposta. O amor é sempre a resposta certa. 


Favoritos de Outubro

(Uma publicação um bocadinho atrasada.)

Outubro chegou ao fim. Este foi um mês que trouxe tanta coisa boa consigo: os dias frios, os parques cheios de folhas, as tardes no sofá a ver filmes, o cheiro a Natal, o Halloween, as visitas de amigos, a vontade de partilhar convosco as minhas histórias aqui no blogue e, claro, a vossa companhia também... Assim, para o terminar da melhor forma, decidi partilhar convosco os meus destaques deste mês.

PALAVRA DO MÊS

Outono. Sem sombra de dúvida. Como contei aqui, esta é a minha estação do ano preferida. Por todas as razões que já mencionei neste blogue (o frio, as folhas, as cores, o chá...) e por outras, como o facto de me sentir mais produtiva durante estes meses ou o facto de poder, finalmente, tirar do armário todas aquelas camisolas quentinhas e fofinhas. Esta deve ter sido a palavra que disse mais vezes e aquela que fez parte dos temas de conversa por aqui a toda a hora. E, claro, a palavra Outono engloba toda outra imensidão de palavras para mim: natureza, paz, harmonia, liberdade. Eu, tal como uma árvore que se vê sem as suas folhas nesta altura, sinto que me vejo livre de tudo aquilo que fui acumulando todo o ano e que já não me serve: é tempo de reescrever o plano e começar de novo. Por isso, não haveria melhor palavra para descrever Outubro.

PLAYLIST DO MÊS


Esta. É uma das playlists que tenho há mais tempo no Spotify e é certo que já merece alguma actualização. No entanto, é das playlists que mais companhia me faz, nos dias em que preciso de aquecer o coração. É ela que me tem acompanhado durante todo o mês, seja nas viagens de metro a caminho do trabalho, seja quando chego a casa e preciso de descansar. Aqui há Birdy, Iron&Wine, Cat Power, London Gramar, Bryde, Kaleida e uma imensidão de muitos outros nomes: músicas com toques muito calmos, talvez até um pouco tristes, mais recentes e mais antigas, que me fazem sempre viajar com elas.

BLOGUE DO MÊS

eu, ele, a maria, o miguel e a ana. Este é um blogue que acompanho há muito, muito tempo. Ainda desde os meus primeiros tempos de faculdade. Desde aí que adoro ver as fotografias maravilhosas desta mãe, que contam histórias tão simples mas ao mesmo tempo tão cheias de amor dos seus pequeninos. Um dia, quando tabalhava numa loja bem no centro de Lisboa, tive a oportunidade de os conhecer: que família linda, tão pura. Recentemente, a bebé Ana, ou Anita, como os irmãos mais velhos gostam de lhe chamar, juntou-se à família e eu tenho andando deliciada com as histórias maravilhosas da bebé e derreto-me com os laços tão fortes que já existem entre ela, a Maria e o Miguel. 

INSTAGRAM DO MÊS

O que a minha Diana vê. A minha melhor amiga tem uma Diana F Plus, que é como quem diz uma câmara lomográfica. A Diana anda com ela para todo o lado: sempre ao pescoço. A Diana já viajou connosco para o Baleal, para Peniche, conheceu Lisboa de uma ponta à outra, já foi a Barcelona e já esteve em Londres. Tirou fotos que transparecem amor, parou o tempo para sempre e contou histórias do mundo inteiro. Agora, a Diana tem um Instagram. E eu tenho estado muito atenta a ele: às vezes, ele é a maneira que encontro de me sentir um bocadinho mais perto de casa.



LIVRO DO MÊS

A Rapariga no Comboio, da sul-africana Paula Hawkins. Encontrei este livro numa estação de metro, quando ia a caminho do casa. Reparei que a capa tinha sido arrancada e que a maior parte das folhas estavam soltas, mas nunca se abandona um livro, por isso trouxe-o comigo. Comecei a lê-lo assim que entrei dentro da carruagem habitual. Até chegar a casa e ser obrigada a dedicar-me às tarefas domésticas, não consegui largar o livro. E tem sido assim nos últimos tempos: o livro tem-me feito companhia em muitas viagens e está a tornar-se um pequeno vício. Ainda não o acabei, mas a história já me prendeu completamente.

LEITURA DO MÊS

Este artigo, escrito por Marta Cunha Grilo. A Marta partilhou os corredores da Escola Superior de Comunicação Social comigo. Tirando algumas conversas esporádicas, nunca falámos muito. Tenho pena: tenho a certeza de que a Marta teria alimentado o meu bichinho das viagens e tenho ainda mais certezas de que a Marta é uma pessoa inspiradora, com uma força de vontade incrível. Apesar de já ter feito algumas viagens e de ter uma bucketlist gigantesca que tenho a certeza de que um dia vou conseguir pôr a limpo, recusei muitas oportunidades de conhecer o mundo: abandonei a ideia de participar no programa Erasmus, coloquei muitos outros planos à frente do meu sonho de fazer um Interail e arranjei mil e uma desculpas para não ser bem sucedida num mochilão pela América Central. Finalmente, este ano consegui pôr as viagens na minha lista de prioridades e coloquei uma bandeirinha na Holanda, na Hungria, na Escócia, no País de Gales e em muitas terras de Inglaterra. Depois de ler este artigo, tive a certeza de que o próximo ano vai trazer muitos outros dias a descobrir o mundo: não vale a pena ter medo, é só mesmo fazer as malas e partir.


COMPRA DO MÊS

Um gorro com orelhas de gato. Não há dúvida nenhuma de que esta foi a grande compra do mês. Vá, nem foi bem uma compra. Foi mais um presente de uma amiga que me veio visitar a Londres e que me obrigou a aceitar o gorro. No início, não me agradou a ideia. Cresci a ouvir dizer que os gorros me ficam mal. Mas a Sara lá me conseguiu convencer e agora não sobrevivo sem ele. Obrigada, Sara, por me salvares das manhãs, tardes e noites geladas!


VÍCIO DO MÊS

Há tanta coisa boa com que andei viciada durante todo o mês de Outubro: desde comer bolachas de aveia a ver How I Met Your Mother sem parar. Mas há algo que se destaca de entre todos os vícios: o chá. Especialmente os chás da Pukka. Neste momento, há, dentro do meu armário, seis variedades de chá diferente. Mas, durante o mês de Outubro, eram cerca de dez caixas de todas as cores, com chás deliciosos. Misturas de gengibre e limão, camomila e mel, hibisco ou menta. Havia para todos os gostos e apetites. Mas as caixas de chá não se ficavam só por causa: no trabalho havia mais e, em cima da minha secretária, uma chávena cheia e fumegante fazia-me companhia a qualquer hora. Tenho desculpa: estão dois graus centígrados na rua. Preciso de sobreviver.

INSPIRAÇÃO DO MÊS

O projecto Tatuar Sorrisos. Porque todos nós temos aquele dia em que precisamos de ouvir algo que nos reconforte, que nos faça acreditar em nós, que faça florescer um sorriso nos nossos lábios. E, por sabermos que assim o é, não custa dar também um bocadinho do nosso amor aos outros, para que também eles se possam sentir com força para continuar. Adorei a ideia de tatuar sorrisos um pouco por todo o lado, de o fazer sem esperar nada em troca, de semear o bem por aí, para que dele nasçam mais coisas boas. Felicidade. Quero que esta inspiração do mês do Outubro sirva também de inspiração para o mês de Novembro e que, daqui, se espalhe por todos os meses do ano.

Com amor,
Joana

It's (almost) Christmas Time! - Part II

Kit de Natal

(Ou uma espécie de #christmasinspo)





Está oficialmente aberta (segundo as leis do universo da Joana) a época natalícia. A partir de agora é legítimo comprar presentes, pensar em como redecorar a casa e decidir quais vão ser postais a enviar para a família e amigos. 
Costumo oferecer prendas feitas por mim e postais comprados nas mil e uma lojas de postais que Londres tem, mas acho que este ano vai ser ao contrário. Sinto-me muito numa onda de art & craft e tenho tido ideias maravilhosas (muito graças ao Projecto Cartas Cruzadas, de que falei aqui). 
Quanto à decoração da casa, acho que vai ser um misto das duas coisas, até porque eu e o Gui percebemos o quão divertido é fazer as nossas próprias decorações no dia em que decidimos desenhar uma cara de monstro numa abóbora para a noite de Halloween (leiam a história aqui). Mas, ao mesmo tempo, tenho visto tanta coisa bonita, que é difícil não querer trazer para casa.
Chegou também a hora de decidir qual é o pijama natalício que vou oferecer ao Gui (na minha família, há a tradição de oferecer um pijama na noite de Natal e decidimos que este ano vai ser assim aqui em casa também). Não me posso esquecer, claro, das meias
A juntar a isto tudo é muito importante que escolhamos um Calendário de Advento, porque tudo é uma boa desculpa para comer chocolate. 
Durante este mês e até ao Natal, tenciono experimentar uma lista interminável de coisas que me fazem lembrar o Natal: fazer bolinhos de canela, bolachas em forma de árvore de Natal ou boneco de neve, andar de patins no gelo, e - por favor, quero tanto - brincar na neve
Não sei o que me deu. Eu juro que não era assim. Mas parece que o lado bonito do Natal me contagiou! 

Com amor, 
Joana

(Imagens retiradas do Pinterest)

~ Natureza em estado puro ~

O Outono chegou em força: Londres está agora coberta por um manto de nevoeiro, a humidade agarra-se ao nosso corpo e ao nosso cabelo. O chá tem sido o nosso melhor amigo. O sofá e a manta polar fazem-nos companhia. Nestes dias, festejámos o Halloween: vestimo-nos de Cleópatra e Júlio César versão Zombie e, acompanhados pelos nossos amigos vampiros, bonecas assombradas e enfermeiros ensaguentados, festejámos o melhor que pudemos. Vimos Nightmare Before Christmas, um filme de Tim Burton, que entrou para a lista dos filmes mais originais e melhor produzidos que já vi. (Sabiam que o filme é todo gravado em stop-motion, que é como quem diz realizado com recurso a fotografias tiradas em sequência de determinados objectos que, quando colocadas todas juntas, dão a ideia de movimento?) Escrevi cartas para o Projecto Cartas Cruzadas. E, melhor do que tudo o resto, risquei Richmond Park da minha lista de lugares a visitar neste Outono (vejam a lista aqui). Decidimos visitar o parque no domingo à tarde, depois de um sábado passado a molengar. De nossa casa até Richmond demoramos apenas meia hora de metro, coisa que, em Londres, é muito pouco tempo dentro de um transporte público. Richmond é uma pequena "vila" dentro de uma cidade gigantesca, que mistura comércio tradicional com lojas de grandes cadeias, onde tanto se vive o reboliço da metrópole como a calma do campo. Em cinco minutos, passamos da zona comercial para o rio e a mãe natureza na sua forma mais pura e, ao entrar dentro do parque propriamente dito, somos levados para um pequeno paraíso. O parque é gigante e, logo à entrada, um mapa do local tenta elucidar-nos o caminho que temos de fazer para chegarmos a pontos chave como os lagos ou os locais de observação de animais. Mas, no meio da natureza, não são precisos mapas. Na verdade, só precisamos mesmo de fechar os olhos e deixarmo-nos guiar pela natureza. Durante a nossa visita, vimos renas e alces ali, no meio das pessoas, sem medo. Vimos patos a nadar em lagos tão bonitos que reflectiam todas as árvores ali à volta. Vimos folhas de cores tão outonais. Vimos o rio. Vimos um pôr do sol magnífico. Vimos crianças a brincar no meio da relva, como se soubessem que estavam a regressar ao lugar de onde tinham vindo. No fim do nosso passeio, estávamos cansados, mas também nós nos sentíamos com as baterias recarregadas, prontos para enfrentar mais uma semana. 








Com amor, 

Joana

Happiness is Homemade

Inspirados pelos vídeos dos Pequenos Monstros, eu e o Gui decidimos fazer uma lista de actividades diferentes, divertidas e desafiantes para ocupar os nossos dias. A ideia é fugir da rotina e experimentar algo diferente, algo que nunca tenhamos feito (ou, pelo menos, algo que nunca tenhamos feito juntos). Como também não somos adeptos de complicações, ficámo-nos pelas coisas básicas e simples: queremos poder fazer estas actividades em qualquer dia da semana, sem ter de esperar pelo sábado ou pelo domingo. Afinal de contas, a vida é para se aproveitar a qualquer hora.
Começámos a riscar os items da nossa lista ontem à noite. E até que não nos saímos nada mal! Ora, para começar, decidimos fazer um bolo. 





Eu sou um zero à esquerda na cozinha: não porque não saiba cozinhar, o problema é que eu nunca tentei aprender. Canso-me de olhar para o forno, aquela meia dúzia de botões parece-me um bicho de sete cabeças. Nunca acerto com a temperatura da água. O tempo da fervura é um dígito demasiado grande para a minha cabeça. E por aí em diante. O Gui sabe cozinhar. Aliás, até sabe fazer bolos. Pão. Mousse de chocolate. E mais uma data de outras coisas deliciosas. Apesar de ele tentar todos os dias ensinar-me a cozinhar, eu prefiro ficar-me pela tarefa de limpar a casa. Mas eu tento: eu juro que estou a tentar melhorar a minha vontade de aprender a cozinhar. Ontem, foi prova disso e foi tão divertido
Decidimos copiar uma receita muito fácil, tirada do site do Pingo Doce, de Bolo Mármore. Sim, foi só para matar as saudades de casa. Ao todo, contando com o tempo que o bolo esteve no forno, devemos ter demorado cerca de uma hora e meia em todo o processo. E, como gostámos tanto desta actividade, decidimos fazer não apenas um bolo mas DOIS BOLOS. Os meus colegas de trabalho agradeceram a decisão de fazer um segundo bolo. 
O resultado final foi um bolo bonito, fofinho e delicioso e, claro, uma cozinha destruída e duas pessoas muito felizes



Nunca pensei que fosse tão fácil fazer este bolo. E, sobretudo, nunca pensei que saísse tão bem. Afinal, nem sempre o que parece difícil realmente o é: às vezes é só mesmo preciso pôr mãos à obra e tentar



Com amor,
Joana

Uma Casa Horripilante

Este fim de semana festejámos o nosso primeiro mês na casa nova. Foi um mês de muito trabalho em que passámos pouco tempo a aproveitar, de facto, a casa. Por isso, este domingo combinámos não sair do nosso cantinho e arranjar actividades divertidas para comemorar. 
Grande parte do dia foi passado em frente à televisão: vimos New Girl, How to Get Away With Murder e How I Met Your Mother, enquanto molhámos as maravilhosas bolachinhas bourbon no café. Os vídeos dos Pequenos Monstros (especialmente este) também nos ocuparam a tarde. Depois, marcámos uma viagem a Oxford, preparámos a nossa viagem a Birmingham e comprámos os bilhetes para ir andar de patins no gelo (yey!). 
Mas nada foi tão divertido quanto decorar a casa para o Halloween
Como contei aqui, estou mesmo entusiasmada para viver esta época assustadora do ano em Londres. Por isso, o Gui comprou uma abóbora e, ontem, divertimo-nos a desenhar uma cara de monstro nela. (Obrigada, Youtube, por existires e nos ajudares nesta tarefa!). Julguei que fosse mais difícil, mas, na verdade, basta utilizar uma caneta para desenhar a cara, uma faca bem afiada para cortar a casca e uma colher para retirar o interior da abóbora. Depois, pode-se colocar um balão com uma luz LED lá dentro (uma daquelas pequeninas que costumam dar nos festivais, por exemplo) para iluminar a abóbora horripilante. 







Comprámos ainda, na Wilco, uma toalha de mesa laranja com formigas e aranhas e duas fitas decorativas para as paredes: uma com morcegos e outra com fantasmas
Adoro ver a casa como está agora: está super divertida e, como a nossa sala está decorada em tons de castanho, preto e laranja, as decorações de Halloween assentam-lhe na perfeição. E, claro, não foi preciso gastar muito dinheiro nem desperdiçar muitos materiais.



Ontem, depois de as decorações estarem concluídas, decidimos fazer um brunch saudável: houve pão rye e salmão fumado, salada, banana com Nutella e, para acompanhar, chá servido no nosso novo bule (obrigada, mãe do Gui!). 




Mas, claro, não nos ficámos por aqui. Encomendámos uns fatos de Halloween pela Internet, para usar na festa a que vamos na próxima sexta-feira. Ontem, foi também o dia de experimentar esses fatos (são muito giros, mas ainda não vos podemos mostrar!) e decidir qual é a maquilhagem que vamos utilizar. 
O fim de semana serviu para recarregar baterias e para me relembrar do quão divertido pode ser este tipo de coisas tão simples: nem sempre é preciso jantares em restaurantes, passeios por lugares maravilhosos ou actividades fora de casa. Não é preciso correr de um lado para o outro e encher a agenda de planos mirabolantes que nos obrigam a atravessar a cidade no meio da multidão e a contar os minutos que temos para chegar ao ponto a que queremos chegar. Na maior parte das vezes, basta as nossas quatro paredes e um bocadinho de imaginação para aproveitarmos a companhia das pessoas com quem partilhamos a nossa vida. O amor é assim: simples.

Com amor,
Joana

Um Outono Perfeito em Londres

Já o disse e volto a repetir as vezes que forem precisas: adoro o Outono e adoro passá-lo em Londres. É certo que o Outono aqui é muito mais frio do que em Portugal, mas, ao mesmo tempo, acaba por ser mais acolhedor: podemos passar os dias em cafés bonitos, tal como vos contei aqui, a beber café, chá ou chocolate quente, podemos beber vinho quente numa feira de Outono, podemos ler um livro junto à lareira numa livraria antiga ou podemos caminhar por cima de folhas amareladas e estaladiças num dos mil parques gigantes de Londres. 


Os parques são a minha opção preferida. Há uma mistura de cores mágica criada pelas tonalidades das árvores. Há esquilos. Há renas. Há lagos onde vemos o nosso reflexo. Há uma vontade de estar em comunhão com a natureza e de nos deixarmos abraçar por ela. 
E, como eu sou maluca por fazer listas, claro que tenho uma lista de parques a visitar nesta época. Durante o ano passado, consegui explorar os mais conhecidos: St. James's Park, Green Park, Greenwich Park , Regents Park , Kensington Gardens e Hyde Park, por exemplo.


De todos eles, o meu preferido continua a ser o gigantesco Hyde Park. Tudo graças ao lago que se encontra no meio do parque, The Serpentine, e que, nesta época, se enche de cisnes brancos. Aqui há também um café bastante acolhedor, que nos permite apreciar a vista do parque. Podemos ainda andar de patins pelas muitas estradas próprias para tal que por lá existem e dali a Kensington Gardens é só um pequeno saltinho. 
Este ano, acrescentei à lista duas pérolas de Londres: Kew Gardens e Richmond Park. O primeiro já existe há mais de 250 anos e diz quem já lá esteve que alguns dos jardins nos fazem recuar uns bons anos no tempo, pois são verdadeiras obras de arte da época vitoriana. O segundo é a casa de mais de 600 renas e uma data de outros animais difíceis de observar noutros lugares. 


Ambos os lugares, fazem parte da National Trust, uma organização que protege os parques, monumentos, reservas naturais e outros lugares especiais no Reino Unido. Para os membros desta organização, as entradas em todos os lugares dos parques e jardins são grátis. E não custa quase nada ser um membro da National Trust: por 30 libras ao ano, temos acesso a uma lista interminável de lugares maravilhosos e lindíssimos por toda a Inglaterra, Escócia e País de Gales. Além disso, temos ainda acesso ao Passaporte National Trust e podemos carimbá-lo por cada lugar que passarmos. 
Ainda não sou um membro, mas conheci a organização através da Soraia (podem acompanhar as viagens dela aqui e aqui) e quero muito aderir em Janeiro, para começar a visitar todos os lugares abrangidos pelo passaporte logo no início do próximo ano. 
Depois, é esperarem pelas histórias dos lugares aqui pelo blogue, porque, claro, quero fazer-vos viajar comigo!
 Com amor,
Joana

Vamos enviar cartas?

Não sei bem há quanto tempo conheço a Mariana. Sei que comecei a ler o blogue dela e, a pouco e pouco, fomos tornando aquilo que começou por ser uma amizade virtual num amor pessoal. A Mariana é daquelas pessoas de que é fácil gostar: dentro do coração dela cabe o mundo inteiro. Ela sabe como fazer alguém sorrir e fá-lo sem esforço, sem manhas, sem pedir nada em troca. É genuína. E eu gosto mesmo muito dela. 
Já tive oportunidade de a conhecer e, desde então, sinto que levo sempre a Mariana comigo. E sinto que estou sempre no coração da Mariana, juntamente com todas as outras pessoas bonitas a quem ela se dá. 
A Mariana - para além do talento de fazer pessoas felizes - sabe como tornar o mundo num lugar bem pequenino, sabe como ligar sorrisos uns aos outros e como fazer chegar amor aos quatro cantos do planeta. Grande parte das pessoas inspiradoras que conheço - virtual ou pessoalmente - chegaram até mim através da Mariana. Como?, perguntam vocês. Pois bem, a Mariana é apaixonada por chá e por cartas. É uma das formas que ela encontra de ter sempre o seu coração quentinho. E, como chá e cartas andam sempre de mãos dadas, a Mariana, provavelmente num dia em que uma chávena lhe deu mais inspiração, decidiu criar o Projecto Cartas Cruzadas
Inicialmente, a Mariana pediu ao mundo que, se quisesse receber uma carta dela, a avisasse. E o mundo respondeu-lhe. A Mariana enviou cartas para muitas casas, para Portugal e para fora das nossas fronteiras. Enviou cartas para miúdos e graúdos. Enviou cartas que fizeram nascer sorrisos e até cair lágrimas. 
E, em troca, a Mariana recebeu muitas respostas. Por dar amor, recebeu ainda mais amor. E as cartas foram crescendo. O Projecto desenvolveu-se, ganhou novos contornos e, hoje, há uma comunidade de troca de cartas. Tanto que o número das cartas enviadas em Portugal este ano até subiu. Não acreditam? Vejam aqui
Eu fui apanhada nesta corrente das cartas. Por um lado influenciada pela Mariana, por outro culpa da distância a que estou da família e amigos. 


A Mariana e eu trocamos cartas desde a altura em que eu ainda estava em Portugal, mas, em Londres, habituei-me também a enviar pequenos postais à minha mãe, avó e amigas sempre que vou a algum lugar diferente. Para além disso, e devido à oferta gigantesca que há aqui, ganhei o vício de enviar postais em alturas como aniversários e outras ocasiões especiais. 
Recentemente, juntei à minha lista mais três meninas com quem trocar cartas (graças à Mariana, claro). E, no meio disto tudo, ainda há as cartas que envio graças às trocas de chás que faço com o grupo Xícara de Chá (também culpa da Mariana). 


A febre das cartas já é tão grande (a juntar à vontade recém-descoberta que tenho de pegar em tesouras, tubos de cola e lápis de cor) que ando por Londres à procura de um daqueles kits de cartas que têm envelopes, papéis às cores,  carimbos, selos engraçados... (Sabem onde se compra?)
Com toda a tecnologia de hoje em dia, é difícil lembrarmo-nos de que aprendemos a escrever, a desenhar uma caligrafia bonita no papel. Acredito que a tecnologia é aquilo que fizermos dela e que, se a usarmos para o bem, estaremos e faremos o bem também. Mas, ao mesmo tempo, defendo que, numa época em que toda a comunicação se faz de uma maneira muito específica, sabe bem ser diferente, sair da rotina e da zona de conforto. Sermos nós, numa folha de papel. 
Numa altura em que os sorrisos chegam através de likes e comentários e emojis e conversas no Whatsapp, sabe bem entregar miminhos que vêm em envelopes que percorrem quilómetros e passam por tantas mãos diferentes. Envelopes que trazem letras que se compõem em frases que se dirigem ao nosso coração. Que falam connosco mais do que qualquer conversa imediata que tenhamos tido virtualmente.
Eu vou continuar a trocar cartas. E vocês, quando começam?
Obrigada a todas aquelas que têm feito chegar até mim miminhos em forma de palavras desenhadas à mão. E obrigada à Mariana por ter estas ideias tão bonitas. 

Com amor,
Joana






Vícios da Semana

A gripe decidiu atacar-me. Desde domingo que a garganta está em chamas, o nariz pinga e os meus melhores amigos têm sido os lenços de papel e o meu querido Lemsip (um medicamento para a gripe muito utilizado no Reino Unido). Chás atrás de chás, lá vou suportando os calafrios. Não sei de onde é que veio o vírus do mal, mas acredito que esteja relacionado com este frio que decidiu chegar em força aos País de Sua Majestade. 
Quando o despertador toca, ainda de madrugada, tenho de me forçar a sair da cama para ir trabalhar (que, obviamente, a vida não se ganha sozinha, pois está claro), enrolada em cachecóis. No trabalho, a minha secretária tem todo um kit de sobrevivência: batom do cieiro, medicamentos para tomar de 4 em 4 horas, pastilhas para a garganta, saquetas de chá de limão e gengibre... Mesmo assim, parece que o tempo teima em passar e que nunca mais é hora de voltar para o vale dos lençóis e descansar o corpo e a cabeça, que ficam esgotados com tanta tosse e espirros
Depois do trabalho, não há cá paciência para grandes actividades de lazer fora de casa. E, por um lado (porque temos de ver sempre o lado positivo), ser obrigada a estar fechada dentro de quatro paredes faz com que me ponha em dia nas leituras, no maravilhoso mundo das séries televisivas e na música. Por causa disso, ganhei novos vícios (muito saudáveis). 

Livros

É quase impossível tirar os olhos de cima do livro Em Nome do Pai, de Nuno Lobo Antunes. Quando o comecei a ler, sugestão do Gui, a história não me prendeu. Umas páginas depois, estou rendida. O livro conta a história de José, pai de Jesus. Exactamente: esse mesmo. Ele é uma das personagens menos conhecidas da Bíblia, vive na sombra de Maria, mãe de Jesus. Mas como terá sido a vida  deste carpinteiro? O livro, obviamente, é uma obra de ficção, mas a história desenrola-se de uma maneira tão bonita, que somos levados a sentir que até mesmo aqueles que acreditamos serem deuses têm vidas normais como a nossa: debatem-se sobre os mesmos assuntos, pensam da mesma forma, sonham o mesmo que nós e, sobretudo, põem em causa as leis do universo de que nós também duvidamos.



Séries

Sou daquelas pessoas que tem uma lista interminável de séries para ver e que não sobrevive sem o TV Show Time (vamos ser amigos por lá também?). New Girl, Shameless, How To Get Away With Murder e Homeland são aquelas que me têm prendido ao ecrã mais recentemente. Mas, nestes dias em que a gripe decidiu chatear-me, a série que tem sido quase como um medicamento é How I Met Your Mother. Eu sei, eu sei... A série já é bastante antiga e até já terminou, mas nunca acabei de a ver. Acho que é desta. Quando mudámos de casa, tive de garantir que tínhamos uma manta daquelas polares e fofinhas (comprámos a nossa na Primark), para estas alturas e, portanto, enquanto o Gui não chega a casa é ela que me faz companhia no sofá na hora de ver a série.



Música

Para não em ouvir a fungar de cinco em cinco segundos, arranjei uma maneira de me concentrar na escrita ou nas leituras: ouvir música. Às vezes, deixo só a playlist "Discovery Weekly" do Spotify a tocar e, por causa disso, tenho encontrado novas paixões musicais, como Oh Wonder. Desde que descobri a banda londrina, fiquei completamente vidrada nas músicas Without You e Drive.


E vocês? Quais têm sido os vossos vícios do momento?

Com amor, 
Joana 

PS.: Enviem-me boas energias para ver se a gripe vai embora. 

But first Halloween!

Temos de admitir que o Halloween em Portugal não é das festas que mais nos faz entusiasmar. Ao longo destes vinte e três anos, lembro-me de ter comprado um chapéu de bruxa e saído para a rua a tocar às campainhas dizendo "doce ou travessura"apenas uma vez. Acredito ter sido no sétimo ano, pois lembro-me vagamente do meu grupo de amigos daquela altura correr pela rua aos gritinhos de excitação na noite assombrada. Mas não houve mais do que isso.
No ano passado, já estava em Londres no dia 31 de Outubro. Escrevi até para a Travel&Taste sobre o assunto:

"Não se sabe bem qual foi a origem do Halloween. Há quem defenda que começou no seio do povo celta, que acreditava que, com a chegada do inverno, os mortos regressavam para visitar os familiares e as casas, mas também há quem diga que este é um festejo com origem católica, que antecede o Dia de Todos os Santos e, por isso, a noite anterior denomina-se “The All Hallow’s Eve”.

Mas uma coisa é certa: seja qual for a origem, os festejos estão sempre ligados à morte, ao desconhecido e ao fantástico e, por isso, é uma noite mais do que mística."

Fui espectadora na noite mais horripilante do ano. Não me mascarei, não festejei, não me confundi com tantas outras bruxas, abóboras, vampiros e noivas cadáver pelas ruas londrinas. O meu pai veio visitar-me nessa altura: ele não suporta máscaras, foge a sete pés, tem pavor. Achei por bem não o forçar nestas aventuras!
Este vai ser o meu primeiro Halloween "a sério". Este vai ser o ano em que me deixo também contagiar pela febre assombradora que se espalha por toda a Inglaterra. 
Aqui por Londres, o mais comum é festejar dentro de casa. As chamadas "house parties" juntam pequenos e graúdos, vizinhos e família, amigos, conhecidos e até completos desconhecidos. Há também quem decida invadir os pubs, decorados a preceito. E nem sequer é obrigatório escolhermos uma máscara assustadora para festejar: podemos ser a Branca de Neve, disfarçarmo-nos de alguém famoso ou até imitar um emoji.
Os meus planos já estão traçados: vai haver um jantar de amigos, seguido de uma festa chamada The End of The World Party. A festa consiste em festejar a aproximação do fim do fundo (que "terminará" à meia noite), aproveitando os últimos minutos no planeta Terra. Ainda não sei em que consistirá o jantar, mas sinto-me uma criança entusiasmada com as decorações laranjas e pretas, com as abóboras em forma de cara de monstro e com todos os outros apetrechos que não podem faltar!
Já estamos perto da noite dos sustos e eu faço questão de garantir que tenho tudo pronto para a aproveitar da melhor maneira. Vai haver uma playlist especial, fatos horripilantes (ainda não decidi de que é que me vou mascarar, mas podem dar ideias!) e, provavelmente, até é desta que risco da minha lista de filmes a ver o Corpse Bride (eu sei, eu sei...).

E por aí quem é que vai festejar o Halloween? Deixo-vos algumas ideias:














Imagens retiradas do Pinterest