ACMA | SENTIMENTOS

Uma das grandes resoluções para o ano de 2017 é abraçar novos projectos: projectos que me façam sentir realizada, apaixonada, capaz. Projectos que mê dêem vontade de ligar o computador, pesquisar e escrever. No fundo, projectos a que tenha vontade de me dedicar de coração. Por isso, há umas semanas, entrei em contacto com a simpática Ju, do blogue Cor Sem Fim, e perguntei-lhe se podia participar no seu maravilhoso projecto: A Cultura Mora Aqui (ACMA). 



Ora, o que é isto do ACMA? Acho que posso afirmar com certeza que todos nós, de uma maneira ou de outra, sentimos, pelo menos uma vez na nossa vida de atarefados bloggers, que há muito mais interacção em blogues de moda e lifestyle: estes são os blogues mais lidos, mais vistos e aqueles que conseguem fazer quantidades exorbitantes de dinheiro através de artigos patrocinados e histórias que tais. Pois bem, o ACMA pretende romper com a corrente e trazer mais cultura para a blogosfera. Aqui há espaço para cinema, música, livros, séries e tantas outras coisas interessantes que preenchem o nosso dia a dia. Porque nem tudo tem de ser sobre sapatos e maquilhagem.

Interessante, hein

Em cada mês há um novo tema de que os participantes falam. Para este mês de Fevereiro, o mês do amor e o mês da minha primeira publicação para o ACMA, nada melhor do que escrever sobre SENTIMENTOS.

Para mim, o que mais me fascina neste tema não é só a pluralidade de sentimentos que habitam os nossos dias e, no geral, a nossa vida, mas sobretudo a forma como esses mesmos sentimentos chegam até nós e nos agitam, nos estimulam e nos fazem sentir. (Quem já me lê há muito tempo, sabe que "sentir" é, provavelmente, a palavra mais usada nos meus textos.)

Se nos mantivermos atentos, há tanto sentimento a cada segundo: a raiva, a paz, a tristeza, a dúvida, a felicidade, a amizade, o amor. Tanto amor. E todos eles nos chegam de todo o lado: uma mensagem de boa noite, um carinho, um sorriso de um estranho, uma pergunta colocada no momento certo, uma palavra ríspida de alguém de quem gostamos ou de quem não gostamos nada, uma frase perdida num livro que lemos, um acorde de guitarra da nossa música preferida.

E depois há aqueles sentimentos inesperados que nos caem do céu através das formas mais estranhas: aquelas onde nunca pensámos encontrá-los.


Há menos de um mês, decidi passar um domingo enfiada em Brick Lane. Brick Lane é um dos sítios mais bonitos de Londres: fica no este da cidade e destaca-se pelas suas lojas de roupa vintage, os seus alfarrabistas carregados de palavras antigas, os restaurantes de muitas partes do mundo, e, sobretudo, pelos milhares de graffiti que cobrem cada centímetro das ruas. Foi exactamente aí que percebi a quantidade de sentimento que a arte urbana carrega. Decidi acompanhar uma excursão pelas ruas e deliciar-me com as explicações da simpática guia francesa. Não decorei o nome dela (vamos chamar-lhe Julie), mas a paixão com que falava de cada stencil, de cada tag, de cada pintura deliciava qualquer um. Apaixono-me pelas paixões dos outros e foi isso que aconteceu ali: ao ver os graffiti pelos olhos da guia francesa compreendi um bocadinho mais sobre arte e descobri que há sentimentos escondidos em cada pincelada. 


Os artistas de rua, os graffiters, afirmam destacar-se dos vândalos porque arriscam-se em nome da sua paixão: não pretendem colocar o seu nome nas paredes, mas sim incitar ao debate, fazer pensar, desafiar as regras de uma sociedade organizada. É isto que Brick Lane nos transmite: em cada parede há uma questão a ser colocada, em cada tijolo há um desenho que nos faz pensar, em cada stencil uma sensação que nos percorre a espinha e, muitas vezes, deixa-nos com pele de galinha. Caras de políticos que se beijam na boca, uma despedida sentida a Prince, o monstro do capitalismo que devora moedas. Raiva, coragem, frustração, nostalgia. O abstracto a tomar forma e a ganhar cor. 


Julie falou-nos de Milo Tchais, um artista brasileiro, de Otto Schade, chileno, e de Ben Slow, britânico. Contou-nos as histórias de cada um e de muitos mais graffiters. Falou-nos de conversas que tiveram, de histórias que partilharam, de pinturas que fizeram e da forma como cada um deles ama aquilo que faz. Irreverentes. Livres. Sem medos. Os olhos brilhavam-lhe enquanto falava. 


Enquanto seguia a excursão, apreciava cada obra de arte e compreendia: o verdadeiro significado de cada graffiti eu nunca vou saber. Cada um deles esconde-se atrás de um manto de subjectividade. Aquilo que vejo em cada pedaço de cor é o que eu sinto dentro do meu coração: é aquilo que tenho dentro de mim. Um graffiti é, por isso, um espelho: um espelho que racionaliza aquilo que me faz sentir, um espelho que me ajuda a compreender os meus pensamentos mais profundos. O graffiti é, assim, uma viagem pelo interior de cada um de nós. 


E não será esse o objectivo final da arte? Compreender. Descobrir. Supreender. E, mais do que tudo, sentir. 


Blogues Participantes 


Blogues & Youtube Convidados


E tu? Também gostavas de participar neste projecto? Se a resposta for positiva, então não esperes mais: envia já um e-mail para a Ju, através do correio electrónico corsemfim@gmail.com. Já sabes, não falaremos de moda nem acessórios, mas daremos banhos de cultura ao mundo dos blogues e bloggers. Ah, muito importante: se és Youtuber não te acanhes. Também tu podes participar neste projecto! 


As pessoas que não são nossas


Acredito que todos aqueles que se cruzam connosco, ao longo desta nossa vida, aparecem com um propósito e ficam exactamente o tempo necessário para nos ensinar uma lição ou para nos levar até ao próximo patamar do nosso caminho. Há quem fique para sempre e há quem apenas nos acompanhe durante breves segundos, instantes onde trocamos olhares que falam sem voz. Seja como for, mais cedo ou mais tarde, descobrimos o propósito de cada pessoa, o porquê de ela ter aparecido - mais ou menos de surpresa. Demorou até que me apercebesse disso: há coisas que, provavelmente, só nos damos conta de que são como são com o passar dos anos. Já chorei muito por ver alguém partir, desaparecer da minha vida sem deixar qualquer rasto. Por vezes, a tristeza era tão grande que tentava a todo o custo voltar atrás no tempo, impedindo a pessoa de ir embora. Por causa disso, sei que levei muita gente à exaustão. A verdade, é que o apego e a dependência eram de tal modo fortes que, acreditava eu, não conseguiria sobreviver sem determinada presença no meu dia-a-dia. Um dia, depois de muitas lágrimas e de um coração constantemente em sofrimento, com medo de perder mais alguém, dei-me conta de que quanto mais forçava a presença de alguém na minha vida, mais sozinha me sentia, menos longe chegava, menos feliz estava. Lembro-me exactamente do momento em que, perdida nestes pensamentos, me propus a um desafio. Aconteceu durante uma viagem de barco entre o Barreiro e Lisboa, bem cedo, antes das aulas. Estava no final do primeiro semestre do primeiro ano da faculdade e sentia que tinha perdido todos os meus amigos, um namorado de quase três anos e, acompanhando a minha mudança de cidade, até a minha identidade tinha ido pelo cano abaixo. Mas, afinal, que desafio foi este? Simples: em apenas 25 minutos, a duração da travessia do Tejo, fiz uma lista de todas as pessoas que tinham passado pela minha vida, que eu achava que tinha perdido, e, em vez de as ver realmente como uma perda, escrevi à frente do nome de cada uma todas as coisas boas que trouxeram à minha vida. Fi-lo intuitivamente: não pensei que este pequeno desafio me levasse tão longe. Depois disso, foi mais fácil aceitar a partida de cada uma delas. Diria mesmo que - reconheço agora - foi nessa altura que perdoei muitas delas e me perdoei a mim também. Demorou até interiorizar os ensinamentos que esse dia me trouxe: foram precisas muitas mais decepções e lágrimas, muitas aulas de yoga para retirar o peso de cima dos ombros, muitas meditações em que a minha garganta se ressentia por todas as palavras que tinham ficado por dizer. Foi preciso uma viagem para um país estrangeiro. Sentir-me sozinha e perceber que a vida é um conjunto de surpresas felizes. Foi preciso, talvez até, chegar aqui. Ao momento presente. Ao momento em que escrevo estas palavras. Talvez ainda não tenha entendido completamente o significado que esse dia teve para mim. Talvez precise ainda de muitas mais listas, cheios de nomes de vidas que se cruzam na minha. Talvez seja uma apredizagem constante. Mas fica cada vez mais fácil: fica mais fácil quando percebemos que as pessoas não são nossas. Quando compreendemos as mensagem que cada uma delas nos traz. Quando olhamos para o passado e descobrimos que, sem elas, nao estaríamos aqui, mas que, ainda com elas, também não tínhamos chegado. Hoje, já não choro. Mas ainda dói quando me dou conta de que o tempo não volta para trás. Mas será que queria realmente que voltasse? Sei que não. Sei que todos os que saíram não deixaram de fazer parte de mim. Sei que carrego comigo um pedacinho de cada ensinamento por eles deixado. E sei que é porque uns partem que outros chegam, para abrir novas janelas dentro de mim e me dar a conhecer novos tons de cores que antes não conseguia ver. Por isso, agradeço: aos que foram, aos que ficam, aos que chegam e àqueles que ainda hão-de chegar. Porque a vida não traz nem leva nada que não estamos preparados para receber ou deixar ir. Porque nada acontece por acaso. 

Com amor,
Joana


De volta ao tapete, com o coração cheio de amor

Ainda na última publicação vos contei o quão difícil tem sido praticar yoga desde Março do ano passado. Nem sempre foi assim. Comecei a minha viagem pelo mundo dos asanas (posturas, em sânscrito) em 2010, em casa, praticando com o auxílio de vídeos que ia encontrando na internet, mas só em 2013 encontrei a pessoa certa para me ensinar realmente aquilo que há para além dos adho mukha svanasana (ocidentalmente conhecimento como cão que olha para baixo) e das chaturanga dandasana (ou, em português, flexões). A Marina, a minha eterna professora do coração, desafiou-me, ensinou-me a sentir o meu corpo e ajudou-me a descobrir tanto daquilo que sou. Por causa dela, conheci outras professoras fantásticas que tornaram este meu caminho num caminho de mais amor: um amor muito feliz. A BJ Galvan, a Susana Garcia Blanco, a Meghan Currie, a Jessica Green, a Reyes Sanchez e tantas outras almas bonitas e cheias de luz.


Como qualquer criança quando começa a aprender uma coisa nova, ou a descobrir dentro de si o seu potencial, eu andava nas nuvens. Queria conhecer tudo. Chegar sempre mais longe. Ultrapassar os desafios das posturas e da mente. Li, pratiquei, escutei, senti. Todos os dias um bocadinho mais. Entre 2013 e 2015, quanto mais escavava mais encontrava: foi uma descoberta pessoal, essencialmente, mas também foi uma descoberta de como podia utilizar o meu coração para viver com os outros, para aproveitar este mundo e tudo aquilo que ele me pode dar. Se olhar para trás, recordo-me desses dias como dias cheios de sol. De sorriso nos lábios.


Claro que nem todos os dias foram assim: às vezes, também sentia que o meu cérebro não me deixava ir mais longe, que se criava um bloqueio tão grande na minha garganta que até o simples acto de respirar se tornava difícil. Mas tinha consciência de que o meu coração estava apenas a libertar-se de tudo aquilo que o prendia: os medos e os momentos menos bons que se foram acumulando ao longo dos anos. No fundo, estes desafios eram, para mim, apenas a casca dura que construí à minha volta, como escudo de protecção, a partir-se.


Em 2015, depois de tirar um curso de yoga para crianças, de me mudar, de malas a abarrotar de esperança para um novo país e de conhecer a famosa Yoga Girl, simplesmente parei. Não estendi o tapete durante tanto tempo. Revoltei-me comigo mesma, primeiro por não conseguir juntar forças dentro de mim para simplesmente me sentar a ouvir o meu coração e depois porque comecei a duvidar da minha capacidade para voltar a fazê-lo alguma vez na vida. Entre Agosto de 2015 e Março de 2016, a prática foi intermitente. E nem sequer foi uma prática espiritual. Foi uma prática puramente física. Na maior parte das vezes, o objectivo não era mais do que tentar aliviar a dor que sentia nas costas ou tentar não perder os meus abdominais definidos. Hoje, olhando para trás, sei que esta curva no meu caminho enquanto yogini não foi mais do que resultado de ter deixado de gostar tanto de mim, de nutrir este amor próprio, de me valorizar. A base das minhas decisões deixou de ser o amor e passou a ser o medo: o medo de não ser suficiente. E, por causa disso, o tapete ficou arrumado a um canto.


O Yoga é um caminho. Um caminho de crescimento pessoal. Uma viagem por dentro de nós próprios. Uma união daquilo que somos com o nosso corpo físico. E, às vezes, nesse caminho há curvas, contracurvas, momentos em que nos questionamos sobre o seu verdadeiro significado. No fundo, acredito que a esses momentos se seguem momentos de grande expansão interior. E é exactamente isso que o meu coração vive neste momento: estou pronta para regressar. Estou pronta para aceitar o medo e responder-lhe com amor. Estou pronta para encarar todas as possibilidades magníficas que esta aventura comporta. E estou pronta para aceitar as respostas às questões que coloco ao longo do meu caminho. De sorriso nos lábios, porque o sorriso é a expressão mais pura daquilo que verdadeiramente sou. Somos.

Com amor, 
Joana

3 livros para ler este ano

Adoro comprar livros. Gosto de os ter na mão, de folheá-los, de me encher de expectativas. Gosto do os trazer para casa e de me sentar, acompanhada de um bom chá, a lê-los. Adoro seguir as aventuras das personagens, inspirar-me com frases simples, deliciar-me com ensinamentos preciosos. Sou assim desde que me conheço. Antes mesmo de saber ler, eles andavam sempre comigo: imaginava histórias através das imagens. Foi assim que cresci. Rodeada de livros. Leio no metro, à espera de uma consulta, antes de adormecer. E é frequente ler mais do que um livro ao mesmo tempo. Neste momento, por exemplo, O Livro do Hygge, The Silk Roads, As Primeiras Coisas e As Três Vidas são os livros que me têm acompanhado para todo o lado: consoante o estado de espírito, decido qual deles vai andar dentro da minha mala em determinado dia. Mas também há algo que tenho tentado fazer: dar-lhes uma nova casa, assim que acabo de os ler. Não só eles merecem ser partilhados como eu posso arranjar espaço para que outras palavras cheguem até mim. Deixo-os em autocarros, bancos de jardim ou à porta de casas. Por isso, se encontrarem um livro com uma mensagem dentro dele, de mim para vocês, não estranhem: levem-no convosco. Para além disso, em 2017, arranjei outra solução para a minha febre dos livros: em todos os outros anos, fiz uma lista interminável de livros que queria ler e acabei por cosnseguir ler apenas uma pequena parte. Síndrome de ratinho de biblioteca. Por isso, este é o ano de prioritizar. Escolhi três, sim, três!, livros que tenho - obrigatoriamente - de ler. Escolhi-os porque ou já me falaram muito bem deles ou eu tenho a sensação de que me fará muito bem ler. É isso que eu quero para o meu ano, certo? Felicidade e equilíbrio, aprendizagem e crescimento. A minha lista de livros para o novo ano tem exactamente de reflectir essa minha escolha de objectivos. 

Women Who Run With The Wolves, Clarissa Pinkola Estes
Neste livro, que nos fala de mulheres conscientes do seu poder e da sua força, mulheres livres, mulheres confiantes, fazemos uma viagem ao longo dos séculos, que nos mostra a forma como a sociedade, maioritariamente dominada por homens, condiciona e reprime a beleza de ser mulher. Quantas vezes somos inferiorizadas? Quantas vezes somos trocadas por homens, supostamente mais capazes? Este ano, um dos meus objectivos é também conectar-me mais comigo mesma e isso inclui conectar-me com o meu poder enquanto mulher, com as inifinitas possibilidades que isso traz ao meu ser e ao mundo. Através destas histórias sobre wild women, espero também eu ganhar consciência da minha capacidade de o ser.

{ Imagem retirada daqui }

Yoga-me, Filipa Veiga
A minha prática de yoga tem, desde meados de Março de 2016, sido uma montanha russa. Pratico muito menos e, quando o faço, sinto-me menos dedicada ao momento. Estar ali, no tapete, é mais um sacrifício do que propriamente uma aprendizagem e um avançar neste caminho que é o mundo do yoga. Sinto que, sobretudo, me falta inspiração. Hoje, este livro chegou a minha casa e eu pude, finalmente, experimentar novamente aquela sensação boa de chegar ao tapete, de saber que é o momento de estar comigo própria, descobrindo-me. Constatei novamente que não há nada melhor para me sentir capaz de voltar à prática do que uma yogini que eu admiro. Yogini esta que é também jornalista. Uma combinação perfeita. A Filipa Veiga trocou o ballet pelo yoga, Portugal por Bali e uma vida de jornalista pela serenidade de ensinar aos outros a calma que ela própria transpira. Já tive oportunidade de aprender com ela muito sobre aquilo que é ser jornalista e inspirar através das palavras, quando trabalhámos juntas para o Yogi Times. Agora, é a vez de descobrir com ela os segredos desta forma linda de viver - o Yoga. O livro reúne a história desta prática universal e da prática da Filipa, bem como um conjunto de sequências de yoga que podemos experimentar e um receitas nutritivas para fazer bem ao nosso corpo.

{ Imagem retirada daqui }

Sparkle Joy, Marie Kondo
Okay, a culpada de este livro estar na minha lista é a Mariana. No dia em que me encontrei com ela (e com aquele chá delicioso!), no Porto, falámos da Marie Kondo e das suas técnicas para libertar espaço nas nossas vidas para o que realmente interessa. Deixou-me logo curiosa. Quem me conhece, sabe que destralhar é uma das minhas palavras preferidas e o minimalismo é um dos valores base para a minha vida, que, embora nem sempre seja fácil de seguir, orienta-me o caminho. Para quê atafulhar a nossa vida de coisas, certo? Depois de estarmos juntas, li esta publicação no Chá&Girassóis e tornou-se óbvio para mim que o livro da Marie Kondo teria de ir obrigatoriamente para a minha lista de livros a ler em 2017. Ora digam lá que não é de querer ler: "destralhar tendo por base a alegria que as coisas nos transmitem", como escreve a Mariana, é a ideia princial do livro. Pensem só nas mudanças positivas que iam acontecer na nossa vida! (Querem saber o que é isto da arte de destralhar a casa e o coração? Em breve falar-vos-ei sobre o assunto aqui no blogue.)

{ Imagem retirada daqui }
Para mim, estes livros reflectem exactamente aquilo que eu quero atingir este ano. Não há espaço, em 2017, para que a negatividade retire a possibilidade de conseguir o que quero!

E por aí? Quais são os livros que não podem mesmo deixar de ler este ano?

Com amor, 
Joana

Mariana Neves ~ Other Voices

Há uns tempos atrás, fiz uma lista das minhas mulheres-ídolo: aquelas que me inspiram, que me dão vontade de correr atrás dos meus objectivos e que me tornam uma pessoa melhor. Escrevi o nome da Mariana logo na primeira linha, com uma letra bonita, e desenhei um girassol ao seu lado. Não sei há quantos anos a Mariana entrou na minha vida, mas sei que, quando isso aconteceu, trouxe o sol com ela. Entrega sorrisos e distribui abraços sem pedir nada em troca e, dentro do seu coração, cabe o mundo inteiro, mesmo que o mundo inteiro ainda não o saiba. As vinte e quatro horas do dia são divididas entre a psicomotricidade, o Projecto Cartas Cruzadas, o chá, o seu blogue e, claro, as pessoas que lhe aquecem a alma. Pelo meio, ainda há tempo para amar a mãe natureza e partilhar todo o seu conhecimento com os que a rodeiam. É perita em juntar pessoas: por causa dela, também eu tenho uma coach fantástica, um bando de pessoas lindas com quem troco cartas à moda antiga e sei, com toda a certeza, que divido este Planeta Azul com corações bons. Como o dela. Ela é a primeira a ser entrevistada para a nova rubrica do blogue, Other Voices. Não podia ser de outra maneira.

Chá & Girassóis

→ O que te levou a começar este blogue?
A história deste blogue começa em 2010. Na altura eu tinha um blogue chamado “O (secreto) Ritual” que foi o meu porto de abrigo durante toda a minha adolescência, escrevia lá sobre tudo: desilusões, conquistas, lágrimas e sorrisos. Até que chegou a uma altura em que apesar de ainda continuar a amar esse blogue tinha que seguir em frente, já não me identificava com esse estilo de escrita e na verdade não me queria expor assim tanto. Daí cresceu o Chá & Girassóis. O blogue que me acompanha na minha entrada do mundo adulto.

→ O blogue tem vindo a alterar-se ao longo do tempo. Essa alteração acompanha o teu crescimento pessoal? Se sim, de que forma?
Claro que sim! Sinto que o meu blogue é um reflexo de mim mesma, por isso enquanto eu mudo, ele muda também. Ele é o meu porto de abrigo, por isso está sempre ajustado aquilo que mais gosto e que mais me completa. E claro isso não é o mesmo que era há uns anos atrás.

→ No entanto, há sempre uma base de temas: a vida saudável, o amor pela natureza e pelas pequenas maravilhas da vida. Acredito que seja uma descoberta constante. Planeias as tuas publicações ou deixas que a inspiração te chegue e escreves nesse momento?
Vou ser sincera, Joana, há publicações que são programadas, por exemplo coisas mais objetivas, por exemplo post sobre organização ou sobre produtos de cosmética natural. Mas depois há post que simplesmente me apetece escrever e escrevo. Fácil. Há uma linha orientadora nos post (até para o blogue não ficar uma confusão) mas há também muita flexibilidade.

→ O que significa para ti o teu blogue?
O meu blogue, como já disse, é o meu porto de abrigo. O meu reflexo das mudanças que vou criando na minha vida, os desafios que vou lançando, as vezes que caio, as saudades que sinto. Uma vez disse que o meu blogue é a minha casa virtual e tudo o que eu espero é que quem o leia sinta também isso: sou eu, a minha vida e tudo o que ela contém (ou quase tudo).

→ Que surpresas para 2017 estás a preparar para os teus leitores?
O único compromisso que quis estabelecer para 2017 foi escrever mais, estar mais presente no blogue. O resto, sem expectativa.


A Blogoesfera

→ Quais são os blogues sem os quais não podes viver?
Pergunta muito, muito, difícil. E eu não sei responder. Eu sigo sensivelmente 100 blogues (e isto é uma lista muito selecionada, acredita). Recorro a vários tipos consoante o que quero ler. Sigo muitos blogues sobre culinária vegetariana, minimalismo e blogues pessoais. Não te consigo dizer os blogues sem os quais não consigo viver, gosto muito de blogues autênticos e acolhedores.

→ Que conselhos darias a alguém que estivesse, neste momento, a começar um blogue?
Façam-no com o coração. Não pensem em lucros, em seguidores, o que quer que seja. Escrevam de coração aberto e mesmo que ninguém comente, que ninguém saiba, façam-no por vocês. Tornem o vosso blogue aquilo que vocês sonharam para ele. Não desistam e peçam ajuda se precisarem. Mas o mais importante é mesmo: escrevam com o coração. O resto vem sempre por acréscimo (na minha opinião).

→ Num mundo em que todos nós estamos online, como estabeleces a fronteira entre aquilo que é a tua vida pessoal e a tua vida pública?
Fácil. Só publico coisas que não me importo que os meus vizinhos ou os meus familiares mais afastados saibam. Se estiver confortável para qualquer pessoa ler, publico. Se não, guardo para mim mesma.

→ E como é que te desligas, nos momentos em que precisas de silêncio?
Joana! Essa pergunta é demasiado óbvia: com uma chávena de chá, claro!!


Projecto Cartas Cruzadas

→ És uma pessoa cheia de ideias. De onde veio a inspiração para começar este projecto?
Veio pela paixão de escrever cartas e de acreditar mesmo que uma palavra bonita salva o dia de alguém (como já salvou tantas vezes os meus dias). Sempre fui conectada às palavras, as cartas são o meu meio favorito para espalhar felicidade. Então pus mãos à obra (sem imaginar que isto viria a ser) e cá estou eu, cinco anos depois ainda a escrever cartas.

→ Tens ideia de quantas cartas já enviaste?
Ao todo? Tenho quase a certeza que já cheguei às mil. Mas pelo menos, posso dizer-te que neste momento, já mandei para 300 pessoas diferentes. Números bonitos, pois são?

→ Qual é o teu sítio preferido para escrever cartas? E a banda sonora?
O meu sítio favorito é o meu quarto porque tenho uma vista linda da janela, mas também gosto de escrever em cafés! Gosto muito de escrever acompanhada. A banda sonora são músicas calminhas (aliás criei uma playlist no spotify é só pesquisarem “cartas cruzadas”) neste momento escrevo com instrumentais de piano da Disney, músicas calmas e felizes.

→ Qual foi a carta que mais gostaste de escrever?
Não sei, tenho muitas cartas favoritas. Gosto muito de escrever cartas para pessoas que adoro e mais uma vez: com o coração aberto. Já escrevi cartas a rir de felicidade e a chorar. Essas cartas são as minhas favoritas porque sei que foram para as pessoas certas.


→ E a que mais gostaste de receber?
Já recebi cartas muito bonitas, mesmo. Mas a que mais me tocou até agora, foi uma que recebi no dia do funeral da minha avó. Sem saber a pessoa (que infelizmente já perdi o contacto) mandou-me uma carta com umas bolachinhas que ela tinha feito. Abri a carta depois do funeral, sem coração no peito e com a cara cheia de lágrimas. Aquela bolacha aconchegou-me tanto o coração que nunca me vou esquecer dessa sensação. (A pessoa não sabia que a minha avó tinha morrido, foi mesmo coincidência).

→ Colocas sempre muito de ti neste projecto: decoras as cartas que escreves, escreves à mão, tentas fazer com que quem recebe essa carta se encha de felicidade. Resulta?
Diz-me tu, que já recebeste cartas minhas: resulta?

→ O que é que já aprendeste com este projecto?
Aprendi coisas boas e coisas más. Das coisas boas: vale tudo a pena por um sorriso. E podes fazer a diferença na vida de alguém por muito pouco, basta estares presente, atenta e com boa vontade. Das coisas más: nem toda a gente sabe manter um compromisso e existem pessoas demasiado sozinhas neste mundo. (E muitas vezes quem me dera poder ter duplas minhas para andar por aí a abraçar as pessoas que me contactam porque se sentem sozinhas, ninguém deveria sentir-se assim num mundo tão cheio)

→ Até onde é que o queres levar?
Até onde ele me quiser levar. Sem expectativas mas com muitos sonhos. Nunca pensei estar aqui agora, já fui entrevistada por três jornais e uma revista, dá para acreditar?! Onde o projecto me quiser levar, eu vou com ele, sem o largar.


O Minimalismo

→ És uma apaixonada por uma vida com menos ruído, menos tralha e mais espaço para o que realmente importa. Quando é que começou esta caminhada?
Algures no meu segundo ano da faculdade quando comecei a ler o blog da Rita “The busy Woman and The Stripy Cat” e aquilo do minimalismo, proactividade e organização fez-me totalmente sentido. Na altura, estava na faculdade, fazia voluntariado, aulas de yoga, estágio, tinha o projecto, e fazia parte da secção de estudantes. Muitas das vezes estava cheia de coisas para fazer, sem tempo. O minimalismo ajudou-me a manter todas essas atividades sem me sentir apertada de tempo. E a partir daí é uma caminhada que nunca descorei.

→ Quais foram as maiores mudanças desde que começaste a viver uma vida mais minimalista?
Comecei a olhar melhor para o que me rodeia e a selecionar aquilo que entra na minha vida. Comecei a repensar em que é que vou gastar as minhas energias. Percebes? A tomar decisões mais conscientes. E a definir prioridades, na vida emocional, profissional, económica.

→ Qual é o maior ensinamento que daqui retiras?
Menos é mais. Sem dúvida, e isto em relação a tanta coisa! A coisas materiais, a momentos sociais, a pessoas. Como disse em cima, a partir do momento que só selecionas o que te faz sentir bem, há muita coisa que tens que largar e às vezes pode custar, mas no fundo é mesmo mais benéfico. Acredita. Dizer “não” é libertador.

→ O que ainda te falta largar?
Uma das coisas que quero mesmo largar é o telemóvel à noite. Tenho o péssimo hábito de ir para a cama com o telemóvel e adormecer com ele ao meu lado (sim, eu sei é péssimo!). Essa é uma das mil coisas que me faltam largar. Mas de momento é a minha prioridade. Ainda me falta largar muita coisa, mas assim que me fizer sentido, sei que vou dar mais passos. O que é importante é as coisas fazerem-te sentido e quiseres lutar por elas.


O Chá

→ Quem te conhece ou te segue de alguma forma sabe que onde está a Mariana está uma chávena de chá. De onde vem este amor?
A minha avó. Ela tinha um chá para cada ocasião e eu herdei isso dela. Apaixonei-me pelo chá e nunca mais o larguei.

→ Até criaste um grupo no Facebook para os amantes de chá e puseste tanta gente, eu incluída, a trocar saquinhos cheirosos por esse mundo fora. Qual é o teu sítio preferido para beber chá?
A minha casa! Tenho uma colecção muito grande chás por isso tenho mais chás que a maior parte das casas de chá. Ir para o meu jardim ou para a minha cama beber chá é fantástico e tão acolhedor.

→ E o teu chá preferido?
Chá branco. Pelo que simboliza e pela sua leveza.


A Mariana

→ Quais são os teus maiores objectivos e projectos para este ano?
Quero que o Projecto Cartas Cruzadas chegue mais longe, quero chegar mais longe em tudo o que já me propus na minha vida. Quero viajar mais, sorrir mais, viver mais. Carpe Diem. 

→ E os teus maiores sonhos?
De sempre? Escrever um livro (ou mais), ter uma vida tão bonita como a dos meus pais, viajar pelo mundo, ir a um concerto da Tracy Chapman, ir à Disney! E ter uma vida repleta de saúde, amor e partilha. Este é o meu maior sonho porque sei que se tiver isto tudo vem de acréscimo.

→ Se tivesses de descrever a Mariana a alguém, como o farias?
A Mariana é uma pessoa muito sorridente, que acredita no melhor do mundo. Não tem medo de elogiar, abraçar estranhos e de “conversas difíceis”. Saudade é o nome do meio e “coração de manteiga” é nome de família. Sonha muito, acordada e a dormir. Acredita que “quem quer faz, quem não quer arranja desculpas”, é exigente com ela própria e determinada no que acredita. Adora estar rodeada de pessoas e tem a sorte de conhecer as melhores pessoas do mundo (que são os melhores amigos). Recebe amor diariamente e espalha-o pelo mundo sempre que pode.

→ És uma pessoa de pessoas, unes toda a gente à tua volta, pouco importando a quantos quilómetros as pessoas se encontram. Qual foi a maior ensinamento que todas estas pessoas que se cruzam contigo e com os teus projectos te deram?
Nada acontece por acaso. Se certa pessoa entrou na minha vida, é porque tem qualquer coisa a ensinar-me e eu tento absorver tudo, viver tudo. E o outro ensinamento foi “faz o bem e o resto vem”. Tenho a minha vida preenchida de pessoas maravilhosas e não existem palavras para exprimir o quão grata estou por isso. Obrigada a ti Joana, por estares nela e por seres tão bonita!



Obrigada a ti também, Mariana!

Com amor, 
Joana 


2017 e as suas novidades

Vinte dias sem fazer uma publicação? Não era bem isto que tinha prometido a mim mesma quando, confiante de que os dias têm mais do que 24 horas, escrevi na minha lista de objectivos para 2017 que ia publicar algo todos os dias. Eu sei, eu sei: estive em Portugal, rodeada da mais bonita família e dos amigos mais fofinhos e, depois disso, a minha vida tem sido um rodopio de novidades, decisões e planos que só me dão vontade de que o relógio ande mais rápido. (Não vos posso contar já, apesar de querer muito, mas, quando vos contar, espero que fiquem tão felizes como eu me sinto neste momento.) Na última vez que escrevi aqui neste cantinho, nosso, disse-vos que este ano tinha como palavras principais amor, estabilidade, equilíbrio e aprendizagem. A cada dia que torno cada parte do plano mais real tenho mais a certeza de que, daqui a 11 meses vou afirmar, feliz, que cumpri a mais completa definição de cada uma delas. Quando tiver dúvidas, ao longo do caminho, a única coisa que tenho de fazer é, como a Sónia tão bem me diz, fechar os olhos e sentir. Mas, bem, não vos quero deixar demasiado curiosos, por isso vou contar-vos as novidades que já não são segredo. Ora, então, o blogue vai ter muitas surpresas novas! Este ano (aliás, já este mês), vou começar (ou recomeçar, para quem se lembra do blogue Joana Goes Zen e das suas rubicas) a publicar uma série de entrevistas a pessoas que, através dos seus projectos ou histórias, nos inspiram. A ideia é que estas Other Voices vos fascinem tanto quanto me fascinam a mim e que, pelo meios das suas palavras, o vosso coração sorria também como o meu sorri. Depois, no próximo mês, o blogue ficará um pouco mais verde: quero voltar a descobrir as maravilhas da ecologia, da vida mais natural e pura e partilhá-la também convosco. E, claro, quero voltar a contar-vos as minhas aventuras em viagem, a minha caminhada pelo mundo do yoga e construir, finalmente, a página das inspirações (já repararam que aquela página está em construção há séculos?). E quero, sobretudo, que, pelo meio, falem comigo: adoro receber as vossas palavras, sorrisos, questões e sugestões. Vamos fazer deste ano um ano em que os bloggers e leitores conversam mais? Quão melhor seria se assim o fosse? Fico à vossa espera aqui deste lado! 

Com amor, 
Joana

Imagem retirada do Mashable

Shoot for the stars

E chegámos ao fim de 2016. Para ser sincera, adoro esta sensação desde que me conheço: a felicidade com que enterro um ano, relembrando tudo o que aconteceu de bom e retirando aprendizagens daquilo que correu mal. 2016 foi um ano estranho: talvez possa mesmo dizer que foi o ano com mais altos e baixos da minha vida, com mais surpresas, com mais tempestades mas também com mais arco-íris. Durante a primeira metade do ano, sinto que vivi num estado de euforia constante: se olhar para trás, só me lembro das cores com via os meus dias, das gargalhadas partilhadas, dos planos (demasiado) sonhadores que fiz para a minha vida, das histórias, do desprendimento, da liberdade que, de repente, senti dentro do meu ser. Depois, a maior surpresa de todas: um amor feliz, que não pedi que viesse. O maior amor que já senti dentro do meu coração. A felicidade mais pura que já partilhei. O personificação de um sentimento que todos os dias me agarra a essa felicidade, mesmo quando a tempestade fica mais forte. E, logo a seguir, a letargia: dia após dia, fui sentindo cada vez mais que me arrastava para epicentro de um tremor de terra e, com isso, chegou a sensação de que já não me reconhecia. Perguntei-me, tantas vezes, ao longo destes últimos meses do ano quem sou eu, para onde foi a Joana que era capaz de se sentir, de olhar para o seu interior, de levar avante os seus valores e ideais? Tenho a sorte de, mesmo assim, saber reconhecer sinais quando eles chegam e tenho ainda mais sorte por, sem pedir, eles me caírem aos pés, como revelações. E foi assim que, de um momento para o outro, bem no meio das ondas mais altas, consegui perceber que precisava de ajuda (Obrigada, Mariana! Obrigada, Sónia!). Afinal de contas, chorar faz bem, mas chorar todos os dias sem saber porquê não se recomenda a ninguém. Foi ao pedir ajuda que pude, finalmente!, sentir-me um bocadinho mais eu: a Joana de sempre. Foi ao pedir ajuda que me relembrei (posso agradecer-vos outra vez?) do quão bom é planear, decidir, arriscar, começar, atirar-me de cabeça e, sobretudo, sonhar. Voltei a sentir a presença de pessoas verdadeiramente inspiradoras e a desejar inspirar de novo aqueles que estão à minha volta. Hoje, fiz algo que já não fazia há muito tempo: sentei-me, em silêncio, fechei os olhos, respirei fundo, abri e coração e coloquei no papel (no meu lindo bullet journal) aquilo que quero para a minha vida daqui em diante: escolhi as palavras base para o meu ano - amor, estabilidade, equílibrio e aprendizagem - e diverti-me a pensar em como concretizá-las e torná-las em algo palpável, algo que, daqui a um ano, me faça pensar que sou a melhor pessoa que podia ser e que sou, sobretudo, FELIZ. Tudo isto não é fácil: dá trabalho, exige que pense, que sinta, que chore, que me revolte. Que acorde fantasmas antigos. E todos os dias são diferentes: há dias bons, há dias maus, há dias em que me convenço de que não consigo, de que não sou boa o suficiente, de que nunca vou conseguir. Mas, mais do que isso, vale a pena! Vale a pena sentir-me leve, sentir-me mais e mais realizada e perto de mim outra vez dia após dia. Vale a pena sentir que resolvo o que há muito tempo acumulo na minha pilha de problemas para resolver. Vale a pena descobrir quem sou verdadeiramente e qual é o meu papel no mundo. Vale a pena perceber que até mesmo os dias mais feios e cinzentos trazem com eles uma bagagem que podemos transformar em algo positivo, num ensinamento valioso. Cresço. Evoluo. E é por isso que, hoje, me sinto com tanta energia para correr atrás do que quero: 2017 está aí à porta e esperam-se muitos projectos novos, o regresso de projectos antigos, crescimento pessoal e muita inspiração para continuar este caminho. 2016 foi um ano, acima de tudo, necessário. Afinal de contas, às vezes é mesmo preciso parar, tocar no fundo e descobrir forças onde pensávamos já não existir nada para nadar até à superfície e reparar no quão belo é viver. 



Com amor,
Joana

Vamos fazer um bullet journal?

(Esta publicação já devia ter saído há dois dias, mas eu estou demasiado entretida a brincar com a Oreo.)
Sou uma pessoa de listas: há a lista de viagens que quero fazer, a lista dos sítios que quero visitar nessas viagens, a lista de compras, a lista de filmes para ver, a lista de livros para ler, a lista de objectivos anuais, de objectivos mensais, de objectivos diários, a lista de tarefas para o blogue, a lista das roupas que quero compras, e por aí em diante. Para além das listas, há ainda a imensidão de cadernos que as acomodam e as canetas coloridas que escrevem as escrevem. Faço listas porque gosto de colocar objectivos, porque gosto de saber por onde me guiar, gosto de escrever e, sobretudo, gosto de planear. Esta é a minha parte favorita do ano: a altura em que me sento à minha secretária, acompanhada de um chá quentinho, e me ponho a pensar em toda as possibilidades que o novo ano me traz e, depois, as coloco todas num dos mil cadernos. Mesmo que muitas vezes não consiga cumprir os objectivos a que me proponho, sei que se os colocar no papel a probabilidade de - pelo menos - tentar realizá-los é muito maior. Porquê? Porque adoro riscar coisas dessas listas! Ora, sempre que me apresentam uma nova técnica que promete ajudar-me a concretizar aquilo a que me proponho,  tenho de a experimentar. Foi exactamente isto que aconteceu quando descobri o conceito de bullet journal. Fiquei rendida. Coloquei logo na lista de coisas a experimentar em 2017. Ora, o que é isto de bullet journaling? Basicamente, é uma agenda moderna, que nos permite segmentar o nosso ano em categorias, de uma forma organizada mas, no entanto, criativa. Afinal de contas, é um DIY: somos nós que escolhemos o design, as cores, o tipo de letra, o método de organização. Somos nós que o fazemos. Do princípio ao fim. Quantas vezes, utilizando uma agenda normal, comprada numa loja qualquer, não damos por nós a pensar que gostávamos de ter espaço para organizar as nossas ideias de outra maneira, sem ser da forma mais formatada de sempre: de hora a hora. Utilizando um bullet journal deixamos de ter esse problema. Ele é exactamente o contrário de formatação. Estão curiosos? Deixo-vos aqui os passos que segui para fazer o meu para que possam tirar ideias caso queiram apostar no bullet journaling em 2017 também. 
Materiais
- Um caderno (pode ser de folhas lisas, quadriculadas ou pautadas, como preferirem);
- Canetas coloridas (convém que tenham a ponta fina);
- Caneta preta ou azul;
- Lápis;
- Caderno de rascunho;
- Régua. 
1.º Passo
Antes de começarem devem pesquisar sobre o que é o bullet journal, passar horas infinitas no Instagram e no Pinterest a inspirarem-se em outros bullet journals (juro que vale a pena) e, depois, testarem as vossas ideias no caderno de rascunho. Façam uma lista das categorias que querem incluir e da forma como querem organizar a vossa agenda. Testem a letra e o design. Testem as cores.  Decidam que ícones querem utilizar na vossa agenda: para poupar espaço e criar um efeito visual interessante, é aconselhado escolher símbolos para colocar na agenda propriamente dita. Por exemplo, para identificar uma data memorável, poderão escolher um coração. Para identificar uma tarefa, um quadrado, no qual podem colocar um visto quando a concluirem. E por aí em diante. Quando tiverem uma ideia geral da organização que lhe vão dar, peguem no caderno novo e metam mãos à obra!

2.º Passo
Comecem por fazer a página de contactos: deve conter o vosso nome, a vossa morada e o vosso número de telefone, juntamente com um número de emergência e outras informações que considerem úteis. A segunda página deverá ser o índice, para que saibam sempre onde encontrar cada categoria. Na terceira página, coloquem a legenda: depois de escolhidos os símbolos, expliquem o que cada um deles quer dizer. Podem ver os símbolos que escolhi na imagem abaixo.

A partir da quarta página, poderão colocar um grupo de páginas com espaço para fazerem as listas que normalmente colocam noutros cadernos. Isto é algo que ando a trabalhar: colocar tudo no mesmo local, para que esteja sempre tudo acessível quando eu necessitar e para que eu também possa planear todos os aspectos da minha vida em função dos meus objectivos. Por exemplo, eu fiz uma lista de livros para ler em 2017, uma lista de filmes que quero ver, a lista das quatro viagens principais que planeio fazer no próximo ano, a lista de compras (roupa, decoração, peças de lifestyle) e duas páginas de escrita livre, onde tenciono colocar ideias e frases soltas. Mas não é obrigatório seguirem estas ideias: podem, por exemplo, criar uma página de controlo de hábitos, em que colocam, diariamente, quantos minutos meditaram, quantas horas passaram na internet, quantos quilómetros correram, entre outros, para que possam gerir a vossa vida de acordo com esses hábitos e mudar algo, caso vos pareça necessário. Há mil e uma ideias no Pinterest. Dêem uma olhada. 


3º Passo
Antes de começar a dividir a agenda em meses e dias, coloquei um espaço onde defini os objectivos anuais. Escolhi 12 objectivos e tenciono trabalhar num por mês. Depois, dividi a agenda por meses. Em cada mês, coloquei a lista dos dias, para que possa escrever pequenas notas de eventos importantes e depois deixei uma página para fazer uma lista das publicações do blogue para esse mês. No entanto, vocês podem iniciar o mês da forma que vos fizer mais sentido: com uma lista de inspirações mensais ou de objectivos importantes para cada um dos doze meses do ano.

4.º Passo
Com base no design inicialmente seguido, deverão agora decidir como separar a página diária. Eu dividi tudo por caixinhas: a caixinha da to do list, ados gastos diários (para que saiba sempre quanto dinheiro saiu, entrou e ficou), a das coisas pelas quais me sinto grata em cada dia e um espaço para escrever o que entender (memórias importantes, tarefas que ando a adirar, entre outros). Em cadas domingo, criei também um espaço, a que chamei weekly goals, para que consiga sempre focar-me nos passos a seguir para os objectivos que pretendo atingir. Há ainda quem tenha uma espaço para frases inspiradoras, planos de treino, planos alimentares, entre outros. Basicamente, a ideia é criarem espaços consoante aquilo que o vosso dia contém, para que seja mais fácil organizarem-se.

E está feito o vosso bullet journal! Claro que o poderão decorar à vossa maneira, mais ou menos artístico. Eu comprei um caderninho cheio de borboletas e, portanto, não tive de acrescentar grandes toques de cor. Mas claro que há quem goste de fazer tudo mesmo from scratch. Não é difícil e fica muito mais barato do que muitas agendas. Ao todo, eu devo ter gasto umas £10, incluíndo caderno e um conjunto de canetas de cor. E diverti-me imenso a fazer o meu bullet journal.

Agora que vos contei todas estas técnicas, quero ver os vossos bullet journal para 2017. Vamos lá pôr tudo em ordem e fazer do próximo ano o ano em que passamos do papel à acção. 

Com amor,
Joana

Vamos ser três cá em casa!

Não sei se sabem, ou se já contei por aqui, mas, quando eu e o Gui decidimos viver sozinhos, combinámos que a nossa casa teria de ter um nome. Pouco tempo depois encontrámos a casa ideal para nós e, antes de nos mudarmos, fomos a Cardiff visitar uns amigos. Foi lá que comprámos a primeira peça de decoração para a casa, naquela altura ainda sem nome: um quadro pequenino com um gato cheio de estilo. Ora, assim, sem mais nem menos, surgiu-nos o nome para o nosso cantinho: A Casa do Gato. Ambos adoramos estes animaizinhos, que, para nós, simbolizam paz e boa energia. E, como é assim que vemos a nossa casa também, compreendemos que não havia nome que lhe assentasse melhor. Tudo passou a girar à volta de gatos: quase todas as divisões da casa têm um gato, seja de peluche ou em papel. E toda a gente trata a nossa casa pelo seu nome. Só falta mesmo o quê? O gato verdadeiro. Daqueles que se roçam nas nossas pernas quando querem miminhos e ronronam quando lhes fazemos festinhas. Pois é. Graças ao Gui, o melhor namorado do mundo inteiro, a presença deste bichinho na nossa vida vai ser real. VAMOS TER UM GATINHO. Depois do jantar de Natal, na casa dos nossos amigos, voltámos para A Casa do Gato para abrir os presentes. O Gui foi o primeiro a descobrir o que lhe tinha calhado este Natal (hei-de fazer uma publicação sobre isso!). Depois foi a minha vez: à minha frente tinha uma caixa gigansteca. Quando comecei a desembrulhá-la, vi que era uma caixa para transportar gatos. E percebi logo o que é que o Gui andava a aprontar. Passei o resto da noite abraçada à caixa e, ontem, quando acordei, lembrei-me do meu presente e enchi o Gui de beijinhos: ele é a melhor pessoa do mundo e dá-me os melhores presentes do universo. Liguei logo à minha mãe, dizendo-lhe que ela vai ter um neto. A minha mãe entrou em pânico, deram-lhe logo os calores e eu e o Gui não conseguimos parar de rir durante toda a chamada. Quando lhe contámos que era um gato, foi a risada geral, em Londres e em Lisboa. Hoje, fomos comprar brinquedos, uma mantinha, a caixa de areia e comida para gatinhos. Amanhã, em princípio, o nosso bichinho já dorme connosco. E não podiamos estar mais felizes

O quadro que comprámos em Cardiff


Quem é que, por aqui, também tem um gato? Precisamos de dicas.

(PS: Temos descoberto tantas diferenças entre adoptar um gato aqui e em Portugal. Em breve, falarei sobre isso aque pelo blogue.)

Com amor,
Joana

Christmas Eve: the most beautiful night of the year

O meu Calendário do Advento já confirmou: é mesmo hoje. Ainda não eram 10 da manhã e já eu e o Gui estávamos a preparar mousse de chocolate, salada de bacalhau com grão e rissóis de carne. Sim, acertaram: vão ser estas as mostras de gastronomia portuguesa a que os nossos amigos italianos e britânicos terão direito esta noite. Para além disso, ainda lhes vamos dar a provar licor de ginja, queijo da Serra da Estrela, chouriço e ferraduras de erva doce e canela. Mal podemos esperar para os ver deliciados. Afinal de contas, nós, portugueses, temos este orgulho desmedido em mostrar o que é nosso aos outros, não é verdade? E conquistá-los pelo estômago é algo que sabemos fazer muito bem. É certo que, nesta noite, me falta a minha família e as nossas tradições: a ida à ginjinha de Natal (este ano, ouvi dizer, até lá vai o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa!), o jantar onde se mistura alto e baixo Alentejo, bacalhau com grão, batatas e couve e polvo assado no forno, e a ida a casa da tia Dora, em que eu acabo sempre por adormecer no sofá, muito antes das crianças. Mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de sentir que este é o Natal mais querido de sempre, porque o Gui está ao meu lado e ele é também agora parte da minha família. E é isso mesmo que é o Natal: a festa da família. E, às vezes, a família não são só os pais, os irmãos, os avós, os tios e os primos. Às vezes, a família é também uma mesa cheia de amigos. Por isso, estejam onde estiverem, rodeados da família de sangue ou da família do coração, lembrem-se: são vocês que fazem o Natal. Não são as prendas, não é o valor dos bens materiais que oferecem, mas sim o valor do carinho que oferecem a todos os que se sentam convosco à volta da mesa para partilhar esta noite. Daqui, desta mesa de uma bela freguesia londrina, até à vossa mesa num qualquer outro lugar do mundo de onde me lêem, quero desejar-vos o melhor Natal de sempre e partilhar convosco também um bocadinho deste amor e desta felicidade que hoje sinto. Feliz Natal! 

Com amor, 
Joana