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VIVER EM LONDRES | O que fazer quando chegar


Despediste-te da tua família e dos teus amigos, provavelmente sem saberes quando os voltarias a abraçar. Apanhaste um avião com destino ao incerto. Aterraste em Londres. E agora? Agora é só começar. Se não sabes por onde, continua a ler a publicação de hoje. 

1. Descansar e conhecer os cantos à casa
É certo que quando chegamos vimos cheios de vontade de começar, mas a verdade é que, depois de uma mudança tão abrupta, pôr logo mãos à obra nem sempre é a escolha mais acertada. A verdade é que há formas mais equilibradas de "pôr a mão na massa". Por exemplo, conhecer os cantos à casa, que é como quem diz descobrir Londres. Eu cheguei a 30 de Junho e decidi que, até ao dia 6 de Julho, segunda-feira, ia ter bastante calma e aproveitar para "turistar". Lembro-me que durante esses dias fui até ao centro de Londres muitas vezes, fiz o roteiro turístico normal, apanhei o metro vezes e vezes sem conta em várias direcções, ambientei-me aos autocarros diurnos e nocturnos, aproveitei para ler sobre os melhores sítios para morar e fui estudando o mercado de trabalho: devagar. Nestes primeiros dias, devo ter enviado cerca de uma dezena de currículos, pois queria mesmo dar tempo ao tempo e inserir-me devagar no mundo londrino, que, diga-se de passagem, é muito stressante. 



2. Arranjar um número de telemóvel inglês
Esta deve ser a vossa primeira preocupação. Porquê? Vão precisar de um número de telemóvel para quase todos os passos que se seguem: para receberemc otnactos de entrevistas de emprego, para abrirem uma conta no banco, para contactarem o mundo, no fundo. Existem várias redes móveis, que se adequam mais ou menos consoante as vossas necessidades. A EE, a giffgaff e a Three são talvez aquelas mais indicadas para os jovens. Oferecem muitos GB de internet, mensagens grátis e minutos de chamadas gratuitas também. A EE foi a primeira rede que tive, exactamente porque me dava a possibilidade de aceder à internet gratuitamente e também de trocar mensagens sem pagar nada. Mais tarde, mudei para a Three Mobile e fiz um contrato de 12 meses com eles, que me deu acesso a internet e mensagens ilimitadas, chamadas grátis até 125 minutos e ainda à função Stay At Home, que vos permite utilizar o vosso telemóvel em vários países, incluíndo Portugal, como se estivessem no Reino Unido. Isto quer dizer que, quando viajo, raramente pago roaming. Depois existem outras ofertas, como a LycaMobile e a Lebara, que são redes móveis que vos dão a possibilidade de efectuar chamadas para outros países a preços reduzidos. Nunca utilizei estas redes porque sempre me pareceram ter demasiada publicidade duvidosa para imigrantes, que nem sempre se traduz em verdades. 

3. Marcar uma entrevista no JobCentre para pedir o National Insurance Number
What? Falemos em português. Ora, para trabalhar legalmente no Reino Unido é preciso existir um registo nosso. Esse primeiro registo é feito no JobCentre (Centro de Emprego) da vossa área de residência, através de um pedido de National Insurance Number (uma mistura entre um Número de Segurança Social e um Número de Identificação Fiscal). Se vêm para o Reino Unido para trabalhar, esta deve ser a primeira burocracia a tratar. (Se vêm para estudar, o caso é diferente e tratam de tudo junto da vossa Universidade.) Para fazer este pedido, é necessário, primeiro, marcar uma entrevista do JobCentre. Podem consultar os números de telefone para marcação de entrevista aqui. Geralmente, entre a data do pedido de entrevista e a data em que vão, efectivamente à entrevista, passam cerca de três semanas, portanto convém que marquem assim que chegam, para que, quando começarem a trabalhar, já tenham o National Insurance Number em vossa posse. Para a entrevista devem levar o vosso Cartão de Cidadão ou Passaporte e um comprovativo de morada. Se estiverem a viver numa habitação provisória, podem levar uma carta dessa pessoa (de preferência um cidadão britânico ou um portador de National Insurance Number) dizendo que vivem na casa dela e que ela se responsabiliza pela vossa estadia até encontrarem uma habitação própria. Sim, vão fazer-vos várias perguntas, mas o importante é que esteham calmos e confiantes. Ao telefone, perguntam-vos quando chegaram, onde estão a viver e porque é que vieram para o Reino Unido. Na entrevista presencial, voltam a questionar-vos sobre as vossas intenções no país (só têm de dizer que vieram para trabalhar), de onde vieram, com quem vieram, onde vivem, com quem vivem e quando estimam começar a exercer uma actividade profissional (respondam sempre em menos de 90 dias). Eu tive tanta sorte! O senhor que me entrevistou era bastante simpático, viajava frequentemente para Portugal e conhecia imensa gente no país. Tornou-se muito mais fácil e eu fiquei menos nervosa com o questionário. 

ATENÇÃO: No Reino Unido, os nomes dividem-se em First Name, Middle Name e Last Name. O nosso nome, para os britânicos, fica dividido da seguinte forma: 
First Name -  Primeiro Nome Próprio;
Middle Name - Segundo Nome Próprio e Primeiro Apelido;
Last Name - Último Apelido.
Se o vosso nome ficar dividido desta forma na entrevista para obterem o National Insurance Number, mais tarde, em pedidos de crédito, registos para votar, registos de residência ou pedido de carta de condução britância, o vosso nome real (Nomes Próprios e Apelidos) não será o mesmo que irá aparecer nestes outros documentos, o que invalida os mesmos. Portanto, expliquem, na vossa entrevista e sempre que tiverem de dar o vosso nome a uma entidade oficial, que em Portugal, os nossos nomes se dividem em Nomes Próprios (First Name) e Apelidos (Last Name) sempre. Ou seja, se o vosso nome for Maria Antónia Vaz Freitas (um nome que surgiu out of nowhere, portanto Marias Antónias Vaz Freitas, desculpem desde já!) deverão explicar que os vossos First Name são Maria Antónia e que os vossos Last Name são Vaz Freitas, não existindo qualquer Middle Name. Resumidamente, não existem Middle Name em Portugal. Estamos entendidos?



4. Começar a enviar Currículos
A partir do quinto dia da vossa nova vida em Londres e depois de marcada a entrevista para pedido de National Insurance Number, estão oficialmente preparados para começar a enviar currículos. Aqui dei-vos algumas dicas de como prepararem currículos, consoante o tipo de trabalhar que pretendem procurar. Na próxima publicação vou falar-vos detalhadamente acerca da procura de trabalho no Reino Unido e também contar-vos a minha experiência em termos de emprego em Londres. Hoje, retenham apenas que o mais importante é não desistir. Se vieram para Londres à procura de um trabalho como designer gráfico, por exemplo, dediquem-se à procura desse mesmo trabalho, mas, se o dinheiro estiver contado, não se fiquem por aí. Enviem currículos para outro tipo de trabalho, como em lojas ou restaurantes. Embora não seja o vosso sonho, a realidade é que Londres é uma cidade cara e vocês vão precisar de dinheiro ao final do mês, para alugar a vossa própria casa ou quarto. Mas também é verdade que em Londres a mudança é uma palavra constante na vossa vida e, se hoje são customer service advisors, não quer dizer que amanhã não serão graphic designers. Aqui apenas não vale parar. É mais importante para um recrutador ver que vocês não desistiram nem baixaram os braços do que perceber que estiveram apenas à espera do vosso trabalho de sonho. 

5. Inscrever no Consulado Geral de Portugal em Londres
Okay, isto veio com a experiência e não foi algo que fiz assim que cheguei. Mas é por isso que aqui estou: a ajudar-vos para que não comentam os mesmos erros que eu cometi. é importante haver um registo de todos os portugueses que vivem fora de Portugal, para que possa ser prestado um melhor auxílio aos mesmos em caso de necessidade. E esse auxílio só é prestado se as entidades portuguesas responsáveis souberem que vocês vivem em determinada parte. Portanto, tratem de tudo, mesmo que hoje vos pareça pouco relevante para que, quando um dia precisarem, possam pedir ajuda rapidamente. A vossa inscrição pode ser feita pelo correio, sem que precisem de se deslocar ao posto consular. Vejam mais informações aqui. 

6. Abrir uma conta no banco
Esta vai ser provavelmente a maior aventura de todas. É preciso ter conta no banco para começar a trabalhar e conseguir arrendar uma casa. É preciso ter um comprovativo de morada para abrir conta em alguns bancos e, muitas vezes, é preciso trabalhar para que a abertura da vossa conta seja um processo rápido e sem grandes questões. Ora, tendo em conta a minha experiência, abrir uma conta no banco depende muito da pessoa que vos atender quando visitarem os balcões bancários. A minha primeira conta foi aberta sem qualquer problema e sem grandes questões, a segunda conta demorou várias semanas a ser aberta, porque de cada vez que visitava um balcão do banco ou estavam de agenda cheia ou eram extremamente desagradáveis comigo e eu desistia ao fim de cinco minutos de conversa. Existem várias opções: o Barclays, o Santader, o NatWest, o HSBC, o Lloyds Bank e mais uns quantos. Quando cheguei, visitei o Barcalys, porque conhecia o nome de Portugal. Atendeu-me uma senhora, visivelmente chateada por estar a trabalhar naquele dia, que me disse que sem casa alugada em meu nome não me abria a conta. Saí desanimada. Visitei o HSBC e o NatWest de seguida e obtive a mesma resposta. Uns dias mais tarde, ainda sem conta no banco, falei com uma amiga portuguesa que veio estudar para Londres e ela contou-me que tinha passado pelo mesmo e que a saga só terminou quando visitou o Lloyds Bank. Peguei no meu Passaporte e fui até aos balcões desse banco no Centro Comercial Westfield, em Stratford, os mesmos que a minha amiga tinha utilizado. Na maior paz, uma senhora super simpática atendeu-me, disse-me que não havia problema nenhum, que me podia abrir a conta apenas com o Passaporte e a carta de confirmação de que tinha pedido o National Insurance Number e marcou-me uma entrevista no Lloyds Bank de Bank (Bank é uma das muitas "freguesias" de Londres) para dali a dois dias. Na data marcada, fui a uma entrevista com uma outra senhora simpática, que, em uma hora, tornou realidade a minha vontade de abrir uma conta bancária neste país. Et voilá, na data em comecei a trabalhar tinha já comigo o meu cartão do Lloyds Bank. Até hoje, nunca me arrependi desta escolha. O Lloyds Bank é, sem dúvida, o melhor banco que podia ter escolhido. É simples resolver tudo e quase nunca preciso de ir aos balcões do banco, uma vez que existe uma aplicação para o telemóvel MEGA FIXE, que nos permite fazer (quase) tudo online, como abrir contas poupança, por exemplo.



Depois de cumpridos estes passos, podem respirar de alívio pois já ultrapassaram a fase das burocracias. A partir de agora, é só começar a trabalhar e encontrar uma casa à vossa medida. Nos próximos dias, falo-vos sobre isso e dou-vos mais dicas para que a vossa transição seja a melhor possível.

Com amor, 
Joana

PS.: Obrigada pelos vossos comentários e mensagens sempre tão encorajadores. Peço desculpa por não vos conseguir responder individualmente nem visitar os vossos blogues, mas até que esteja concluído o meu regresso a Portugal todos os meus segundos andam bastante contados. Mas quero que saibam que vos agradeço, do fundo do coração, por estarem desse lado! :)

VIVER EM LONDRES | O que fazer antes de partir


Não, não desapareci nem me esqueci de que tinha de vos contar todas as minhas aventuras londrinas. Na verdade, os últimos dias foram uma correria. Empacotámos a vida em caixas (47 no total, dá para acreditar?), passeámos pelos poucos locais que ainda estão por visitar e aproveitámos o verão que pareceu chegar mais cedo. De repente, é dia 12 de Abril e faltam apenas dez dias para outra grande aventura começar. A nossa vida em Portugal. Wow. 

Mas e vocês? Vocês que querem fazer o caminho inverso? Vocês que estão mais do que preparados para mudar, de malas e bagagens, para o Reino Unido? É sobre isso mesmo que vos falo hoje. O que precisam de fazer antes de mudar de ares e embarcar na vossa própria aventura? 



Preparem-se. Vão buscar o vosso caderno de apontamentos. Eu conto-vos tudo. 

{Por favor, lembrem-se de que tudo aquilo que vos escrevo é baseado na minha própria experiência. Poucos planos, muita acção no local: encontrei trabalho e casa quando já cá estava; nada foi feito à distância. Se sentem que devem fazer de outra forma, façam-no. O mais importante é aquilo que vos deixa mais confortáveis.}

1. Escolher a cidade
Se aquilo com quem sempre sonharam foi viver no Reino Unido, não tenham medo. Venham. Esqueçam o Brexit (e as reportagens assustadoras da TVI): há trabalho, há boa qualidade de vida, há paz, sossego e segurança. Claro que há pessoas que não sabem o significado de solidariedade, de amizade e de respeito, mas elas também existem em Portugal. Por isso, descansem os vossos pais e avós e expliquem-lhes que, quando regressarem, fá-lo-ão com um horizonte muito mais alargado. Ainda assim, o Reino Unido é muito grande. Por isso, o primeiro passo é pesquisar sobre os lugares que mais se adequam ao vosso estilo e nível de vida, ao tipo de trabalho que pretendem ter e aos vossos objectivos. Para mim, a primeira escolha foi sempre Londres. E, se voltasse, continuaria a ser Londres. Londres é o coração desta ilha. É uma cidade gigante, que nunca dorme. É uma cidade tão grande que cabem nela centenas de mundos (e todas as suas "freguesias" são tão diferentes entre si que, se se fartarem de um estilo de vida, podem sempre mudar de freguesia e descobrirem-se novamente). Aqui há sempre qualquer coisa para fazer, descobrir e conhecer. Mas atenção: Londres é a cidade mais cara. Um quarto, em boas condições, numa casa aceitável, pode custar £800 ou mais, e uma casa, na Zona 3, custa, em média, £1200 por mês. Claro que, se o teu objectivo for poupar dinheiro, poderás optar por partilhar quarto ou por viver em shared accommodation (irei falar disto nos próximas publicações), mas, mesmo assim, é bom ter em atenção os elevados custos de vida da cidade. Se quiseres optar por cidades mais baratas, sem perder, no entanto, a vida social, poderás experimentar Cardiff, Bristol ou Brighton, por exemplo. Se não quiseres ficar muito longe de Londres, Windsor ou Oxford são também boas opções: se escolheres morar nestas cidades, poderás, por exemplo, trabalhar em Londres. Quando fiz a minha pesquisa, antes de vir, as minhas opções incluíam também Liverpool e Manchester, mas a verdade é que ambas me pareciam muito escuras e sem grande vida. Além disso, serei sempre uma mulher do sul, portanto o norte do Reino Unido continua, para mim, fora de questão. 

2. Definir um budget
Quanto dinheiro precisas de trazer contigo? Esta era a minha maior questão, quando decidi viver em Londres. A verdade é que atirei um valor um bocadinho para o ar e decidi que esse valor teria de ser suficiente para um mês, sendo que, ao final de um mês, eu tinha de conseguir um trabalho. Para mim, era mais importante mentalizar-me de que tinha de arranjar um trabalho, do que fazer as contas todas direitinhas e contar com ficar mais do que um mês desempregada. No bolso, trouxe 5000€. Se deu? Deu. Se deu para viver à vontade? Não. Portanto, façam as contas tendo em conta os vossos objectivos e o estilo de vida que querem ter no início. Se quiserem encontrar um trabalho específico, não estando disponíveis para agarrar "qualquer coisa", dêem a vocês próprios um prazo maior e tragam mais dinheiro. Se estiverem dispostos a aceitar o primeiro trabalho que vos oferecerem, então não precisam de quantias muito grandes. Os meus 5000€ duraram dois meses. Com eles paguei dois passes mensais, um mês e meio de renda no AirBnb onde fiquei instalada, um mês de renda e a caução do quarto que aluguei a partir de Agosto, comida para dois meses (comprada em supermercados baratos, como o Tesco ou o Iceland), alguma roupa que precisei de comprar para as entrevistas de emprego e 100€ que deixei de parte para a minha vida social (pouco social, vá) da altura (isto incluiu duas aulas de yoga e um bilhete para conhecer a Rachel Brathen!). Vivi muitos dias na corda bamba e chorei muitas vezes a achar que nunca ia encontrar trabalho, mas a verdade é que o objectivo de encontrar trabalho em um mês resultou e comecei a trabalhar a 27 de Julho de 2015. Se era o meu trabalho de sonho? Não. Mas acreditem que aprendi muito a trabalhar neste país. 



3. Arranjar um lugar provisório para ficar
Se querem um conselho, não tentem arranjar casa à distância a menos que conheçam alguém que já esteja no país e que possa ir verificar a casa por vocês. Há demasiados esquemas ilícitos com habitações no Reino Unido, exactamente porque há uma grande procura. Por isso, o melhor é mesmo encontrar um apartamento ou quarto provisório para os primeiros tempos. Falem com amigos que vivam no país ou com pessoas que pensem poder conhecer alguém de confiança com contactos aqui para vos arranjar um lugar para um mês. Alternativamente, utilizem plataformas como Couchsurfing ou AirbBnb ou escolham um hostel barato que vos possa albergar. Aquilo que escolhi fazer foi entrar em contacto com a minha professora de yoga que viaja bastantes vezes para o Reino Unido e conhecem muita gente por estes lados. Por sua vez, ela falou com uma amiga que cá vive, que falou com outra amiga que tinha quartos para alugar por um mês e foi assim que acabei a conhecer a Ros, a pessoa mais querida que me podia ter recebido em Londres. A Ros alugava os quartos no AirBnb e, durante um mês, acabei por conhecer holandeses, alemães e italianos que foram passando pela sua casa. A casa era super confortável e a Ros tinha um especial interesse por ecologia e permacultura, por isso acabei a aprender imenso com ela. 

4. Estudar inglês
Se é preciso saber falar fluentemente inglês para viver no Reino Unido? Não. Conheço muitas pessoas que entendem e falam apenas e básico e não só trabalham como vivem à vontade no país, deslocando-se, indo às compras e frequentando outros espaços públicos. Muito do inglês que a maior parte de nós sabe falar foi aprendido aqui, porque, obviamente, cada lugar tem as suas formas de expressão. Eu própria não sabia mais do que o básico, mas em apenas um mês o meu inglês melhorou bastante. Mas, apesar disso, acredito que deve haver um esforço para aprender mais. Quando digo "estudar inglês" não estou a  dizer que devem ter aulas da língua ou algo do género, mas interessem-se por conhecer e saber mais. Antes de virem, leiam muito em inglês, vejam filmes britânicos, vejam as maiores diferenças entre o inglês americano (aquele que a maior parte de nós fala) e o inglês falado no Reino Unido, façam exercícios de gramática e vocabulário no Duolingo. Tudo isto vai deixar-vos mais à vontade em compreender e em não ter tanta vergonha de falar. Apesar de haver quem viva no país sem falar a língua, sou da opinião que, se queremos inserir-nos na sociedade e criar ligações com os mundos que cabem neste país, devemos, pelo menos, conseguir expressar-nos em inglês. O resto vem com o tempo.


5. Peçam o Cartão Europeu de Seguro de Doença 
Este cartão é gratuito e pode ser pedido nos balcões da Segurança Social ou online aqui, permitindo-vos ter acesso a cuidados de saúde em toda a União Europeia como se estivessem em Portugal (em alguns países, o serviço de saúde chega mesmo a ser gratuito). Este cartão é obrigatório para todos aqueles que vivem no Reino Unido como estudantes ou auto-suficientes. Eu sempre tive o Cartão Europeu de Seguro de Doença, até mesmo em anos em qe não viajei, porque é gratuito e nunca se sabe o que pode acontecer. Portanto, peçam-no!

6. Façam vários currículos e muitas cartas de apresentação
Vejam como está o mercado de trabalho para as áreas em que pretendem procurar ofertas e comecem a desenhar um currículo bonito e uma carta de apresentação. Lembrem-se de que o modelo de CV europeu não é visto com bons olhos por estes lados e apostem em algo criado por vocês, original e detalhado. Esqueçam os modelos utilizados em Portugal, em que o nosso currículo ou tem uma página ou vai para o lixo. Aqui a qualidade é o mais importante. Pesquisem modelos de currículos mais utilizados nas áreas em que pretendem procurar. Por exemplo, se querem trabalhar em atendimento ao cliente o modelo mais indicado é um deste género. O mais importante é que fale dos objectivos que já foram atingidos na vossa carreira profissional e que inclua uma lista de aptidões.

 

7. Leiam sobre as leis comunitárias e as leis do Reino Unido
Esta é a parte que só percebi que devia ter feito quando já cá estava. Existem leis que regulam os movimentos migratórios no Reino Unido e nos países pertencentes à União Europeia (da qual o Reino Unido ainda faz parte), às quais temos de obedecer para exercer os nossos direitos enquanto cidadãos europeus. Por exemplo, apenas podemos residir no Reino Unido por um período de três meses sem qualquer estatuto, período após o qual devemos provar que nos inserimos numa das seguintes categorias: worker/trabalhador por conta de outrém, self-employed/trabalhador por conta própria, student/estudante, self-sufficent/auto-suficiente ou job seeker/à procura de emprego (temos de estar obrigatoriamente inscritos no Centro de Emprego ou JobCentre, como é conhecido aqui). Um dos melhores websites que devem consultar é o website do governo britânico, em www.gov.uk, e também o website do Consulado Geral de Portugal em Londres, aqui. Na página online do governo britânico encontram ainda muitas outras informações úteis que vos podem dar uma ideia de como será a vossa vida aqui. Sabiam que são multados se deitarem lixo (incluíndo beatas) para o chão? E que vos é pedida identificação sempre que tentarem comprar álcool e tabaco (mesmo que tenham 30 anos, mas aparência de 20)? Todos estes pequenos detalhes que parecem não ter importânica nenhuma podem revelar-se bastante úteis quando cá estiverem. 

8. Compreendam a história do Reino Unido
Parece pouco relevante, certo? Mas não é. A ilha é gigante e, quando se fala em Reino Unido, fala-se, na verdade, de um conjunto de países que constituem uma união política. É por isso que dizer que se vive em Inglaterra quando na realidade a nossa casa fica em Cardiff é a maior blasfémia que alguém pode proferir à frente de um gaulês. O Reino Unido engloba a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte. A Inglaterra, a Escócia e o País de Gales ficam na ilha da Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte faz fronteira com a República da Irlanda, que é outro país, independente do Reino Unido. Situados? Abaixo da ilha, há ainda outras pequenas ilhas, chamadas ilhas do canal (entre a Grã-Bretanha e a França). Por exemplo, em Jersey, uma delas, a população portuguesa imigrante é maioritariamente de origem madeirense. Sabiam disto? Há muitos outro tópicos sobre a história que é bom saberem antes de se mudarem para que não cometam erros e acabem a ofender os britânicos!

Depois de todos estes passos dados e quando se sentirem confortáveis, comprem o bilhete de avião e façam as malas. Se são pessoas que, como eu, tendem a procrastinar comprem o bilhete de avião primeiro (depois de escolherem a cidade onde querem morar) e depois comecem a tratar dos passos seguintes. De qualquer forma, confiem. Confiem que tudo vai correr da melhor maneira. Definam o vosso plano de acção e vão adaptando consoante o que for acontecendo. Sinceramente, flexibilidade é talvez a palavra mais importante quando se dá um passo tão gigante como este. Nem sempre tudo vai correr como queremos; por vezes vamos mesmo querer desisitir de tudo isto. Mas sendo flexíveis e seguindo o nosso coração chegaremos sempre aonde quisermos. 

Com amor, 
Joana


PS.: Obrigada a todos aqueles que enviaram e-mails e comentários com perguntas e temas que gostavam de ver abordados nesta rubrica, Viver em Londres. Todas as vossas ideias vão ser incluídas nas próximas publicações.


Casa.


Cheguei a Londres a 30 de Junho de 2015. Vim livre de razões para ficar. Vim também sem razões para voltar atrás. Acredito que quando saímos do país que nos viu nascer e crescer vamos atrás do nosso espírito aventureiro: por muito que queiramos acreditar, nunca mudamos de país com o coração cheio de certezas. A incerteza é, aliás, aquilo que caracteriza a mudança. Mas atiramo-nos de cabeça. Eu atirei-me de cabeça, de corpo inteiro. Escolhi abraçar a vida num novo país: descobri-lo, aceitá-lo, vivê-lo. Mas longe de acreditar que um dia viria a sentir-me em casa aqui. (Demorei muito tempo a compreender esse conceito: casa. Demorei exactamente oito meses de Londres e uma noite de Lisboa.) Mas a verdade é que um dia, às 5:30 da manhã, ao atravessar um parque no este da cidade, a caminho do trabalho, olhei pela janela do autocarro e, vendo todas as luzes cintilantes lá ao fundo, acreditei nunca mais querer ir embora. Olhando para trás, se não fosse essa noite em Lisboa, tantos meses mais tarde, talvez o sentimento de pertença a este lugar tivesse ficado. Não porque fosse real, mas porque demoraria mais uma vida a entender o sentido da minha mudança. Hoje, sei que não sou eu que pertenço aqui, mas é cada coisa bonita que Londres me deu que pertence à minha história. E essa história londrina continuará em mim, mesmo que eu não continue por cá. Se alguma certeza havia, no meio de tantas reticências que mudar de país me fez colocar, era a de que, custasse o que custasse, iria ver respondidas muitas questões sobre mim. E, hoje, aqui sentada a escrever, sei que não podia ter encontrado melhor forma de as ver respondidas e sei que chegou o momento de tomar consciência dessas mesmas respostas. Não, não tenho resposta para tudo. Sei que há respostas que vou encontrar noutro lugar ou que, já existindo dentro de mim, haverei de entender através de outras aventuras, mas, por agora, tenho o suficiente para prosseguir. E estou feliz.

{A publicação era sobre outro assunto. Mas a verdade é que foi isto que saiu. É o que acontece quando deixo o meu coração falar.} 


Porquê Londres?


O mês começou com duas novidades aqui no blogue (e deixem-me agradecer pelas lindas mensagens de parabéns e sorte que recebi de todos vocês!). Mas, e como juntamente com duas novidades vêm sempre mais umas quantas, a publicação de hoje inicia, assim, um conjunto de outras publicações que já queria fazer há muito tempo mas só agora fazem sentido. Se já sabem que novidades são estas de que vos falei ontem, podem continuar a ler texto. Se não sabem, carreguem aqui. 

Prontos? Ora, visto que vou deixar a minha cidade londrina e aventurar-me novamente pelas ruas cheias de sol daquela que sempre foi a minha casa - Lisboa - decidi tornar estes vinte e um dias que antecedem a minha mudança para vos contar tudo sobre Londres: como é viver aqui, porque escolhi Londres, o que aprendi com esta cidade, o que vos aconselho a fazer se quiserem viver em Terras de Sua Majestade... Portanto, um verdadeiro manual de vida londrina. Parece-vos bem? 

Ao longo destes vinte e um dias (e sempre que vocês precisarem) podem enviar-me e-mails, comentários, mensagens com questões sobre a vida em Londres que gostassem de ver respondidas e, claro, se tiverem sugestões sobre publicações, por favor, contem-me tudo. 

Vamos a isso então? Está aberto, oficialmente, o mês mais londrino de sempre aqui no blogue! 

E, para começar, obviamente, começa-se pelo princípio: nada mais nada menos do que a razão pela qual decidi vir, a minha partida e como foram os primeiros tempos aqui.

Os meus últimos tempos em Portugal não foram fáceis. Não só porque o tempo parecia muito: estava em casa, sem trabalhar, à espera de uma viagem de avião que parecia nunca mais chegar; como, por outro lado, o tempo parecia pouco: para me despedir de toda a gente, para estar com aqueles que mais falta me fazem agora.
E depois vim. Fiz a tal viagem de avião com as lágrimas nos olhos o tempo todo: porque tinha medo de crescer, de estar sozinha e porque nunca pensei ser mesmo capaz; mas também com um sorriso gigante: estava a sair totalmente da minha zona de conforto e a ser capaz de fazer aquilo que nem eu acreditava ser capaz de fazer.


Hoje, olhando para trás, aquelas horas entre abraçar a minha família pela última vez em muitos meses e o momento que cheguei àquela que seria a minha casa por tempo indeterminado, foram as horas mais estranhas da minha vida: era um sentimento agridoce, estranho, bom e mau ao mesmo tempo. A dúvida misturava-se com a certeza e tanto tinha vontade de desistir como de nunca mais olhar para trás.
As primeiras duas, talvez três, semanas foram como um sonho (nem sempre necessariamente bom, mas eu não sentia que estivesse a viver realmente nenhum daqueles dias). Dividi o tempo entre entrevistas de emprego (uma para nanny, outra para uma loja de souvenirs e aquela que acabou por se tornar numa oferta que aceitei, numa loja de materiais de construção, para a posição de assistente de loja), candidaturas para outras trinta mil funções diferentes e passeios pelos pontos mais conhecidos desta cidade e outros tantos passeios por sítios não tão conhecidos assim. Dividi o meu tempo entre novas pessoas e pessoas antigas: chamadas de skype, visitas de e a amigos, conversas com desconhecidos em pubs. Dividi o meu tempo entre chás, livros e saudades.
Nesta altura, eu vivia na casa de uma senhora super querida, britânica, chamada Ros. Quase não falávamos porque eu morria de vergonha do meu nível de inglês, que, diga-se de passagem, não era assim tão mau. No entanto, ela tentava bastante conversar comigo e ajudar-me a sentir-me mais confortável. Um dia, ela desafiou-me a cozinhar um prato português e ofereceu-se para complementar o jantar com uma sobremesa inglesa. 
Fiz Bacalhau à Brás. Ela cozinhou crumble de maçãs que colheu do seu próprio pomar. 
Durante o jantar, a inevitável pergunta foi feita: "Porque é que vieste para cá?". Durante mais tempo do que aquele que me pareceu aceitável, tentei pensar numa resposta. Construí-la. Desenhá-la. Fazê-la sair no inglês mais perfeito possível. Fazer-me entender, sem que eu me entendesse. Não me ocorria nada. Nenhuma resposta suficientemente boa, suficientemente crescida e adulta. E, desta vez, nem era por ter medo de falar noutra língua que não é a minha. Simplesmente não tinha resposta.

"Não sei. Não sei porque vim nem porque é que estou aqui. Só senti que o tinha de fazer. E fiz."


Foi isto que me saiu. Em inglês. Num inglês não tão perfeito mas o suficiente para me fazer entender. Durante todo o tempo que estive em Portugal, tentei sempre arranjar uma razão para vir: quero estudar yoga num país com mais oportunidades para tal, quero ter oportunidades de emprego, quero melhorar o meu inglês. Naquele dia, nenhuma dessas razões era a maior razão para ter vindo e, por isso, mais do que explicá-lo a alguém eu estava a responder a mim própria. Não havia nenhuma razão racionalmente explicável. A razão estava dentro do meu coração. E essa era a razão para estar aqui.

Sempre fui assim. Sempre segui aquilo que sentia dentro de mim. Mesmo sem saber porque é que sentia determinada coisa. E quando em 2011 pus os pés neste país pela primeira vez senti que tinha de vir para cá. E vim. Em 2015. Sem razões. Só porque aquela sensação que tenho sempre no estômago me dizia que tinha de vir.
A senhora olhou para mim surpreendida e disse que era uma razão perfeitamente válida. E, de repente, senti-me tão melhor comigo mesma. Não tinha admitido a mim mesma que não havia nenhuma razão para ter vindo para cá a não ser porque sentia que tinha de vir até àquela noite. Não admitia porque me ia sentir criança, inconsciente, louca. Teria sido isso que muita gente me chamaria se tivesse respondido isto à pergunta "Porque é que vais embora?" quando me a fizeram em Portugal.


Hoje, quase dois anos depois desta conversa, continuo a sentir que a resposta que dei foi uma resposta mais do que válida. Fui eu, sincera, a colocar o meu coração na boca e deixá-lo falar. Hoje, quase dois anos depois de ter deixado Portugal, gosto de acreditar que a razão maior para esta mudança foi o meu coração saber que era aqui que estava a sua metade. Mas, mesmo assim, continuo a responder orgulhosa que, a primeira razão da minha mudança foi não ter razão, foi uma sensação no estômago a empurrar-me. E só depois falo de todas as outras razões racionais que descobri aqui que seriam motivos para me fazer ficar.

Por isso, vão. Vão sempre atrás da vossa voz. Mesmo quando ela fala baixinho. Vão de braços abertos, à procura de tudo e de nada. Ninguém sabe as maravilhosas aventuras que a vida vos reserva do outro lado do mundo.

Com amor,

Joana

TORRE DE BABEL



Reza a lenda que, na Babilónia, depois do dilúvio, os sobreviventes (descendentes de Noé) tentaram construir uma torre muito alta — a Torre de Babel — com o objectivo de alcançar os deuses. Os deuses, claro, não gostaram da ideia: afinal de contas, nenhum comum mortal deveria aspirar a ser um deus. Como castigo por esta tentativa de chegarem ao céu sem serem convidados, os deuses, para além de derrubarem a torre, ainda fizeram com que todos os homens construtores começassem a falar línguas diferentes. Num momento, todos se entendiam perfeitamente. No momento seguinte, ninguém conseguia fazer-se compreender.
Por causa de tudo isto, hoje em dia, milhares de pessoas como eu enfrentam um desafio: aprender como nos expressarmos em outra língua.
Nunca me tinha dado conta deste facto até, há quase dois anos, mudar de país. Na altura, o meu primeiro trabalho aqui foi no serviço de apoio ao cliente de uma loja, maioritariamente frequentada por imigrantes. Durante um dia de trabalho (oito horas), ouvia milhares de vozes distintas, com sotaques carregados: britânicos, polacos, checos, romenos, portugueses, italianos, gregos, búlgaros, turcos. Durante uma semana de trabalho (quarenta horas), todos nós fazíamos um esforço para que, com os nossos diferentes sotaques, nos conseguíssemos entender.
Foi um desafio e tanto. Nunca fui uma aluna exemplar a inglês: sempre achei a língua aborrecida e nunca percebi porque é que o inglês é uma língua tão universal. Mas, desde que vim para cá, tenho melhorado a olhos vistos. Ou a ouvidos ouvidos. Se dantes não conseguia distinguir uma única palavra no meio de todo um discurso nesta língua estrangeira, hoje conto histórias, faço perguntas e até consigo dizer umas quantas piadas (acreditem, ter piada noutra língua custa horrores).
Em termos de aprendizagem linguística, os meses que trabalhei naquela loja foram os mais produtivos: durante os momentos de pausa do trabalho, eu e os meus amigos polacos, búlgaros, romenos e ingleses ajudáva-nos uns aos outros e desenvolvemo-nos e aprendemos mais sobre esta língua juntos. A nossa sala de pausa acabava por soar exactamente ao momento que precedeu o episódio da Torre de Babel: todos, em diferentes línguas, tentamos chegar a um consenso sobre como se fala numa língua só.
Com tantas conversas, quase dois anos depois, já me habituei aos sotaques diferentes: hoje, tenho amigos de toda a parte do mundo e, por causa deles, começo agora a dar os meus primeiros passos noutras línguas: sei contar até dez, dizer "bom dia", "adeus", "sim" e "não" e "obrigada" em polaco, sei que os números e o abecedário romenos soam da mesma maneira que os números e o abecedário portugueses e até já sei escrever algumas letras em grego. Pelo meio, aprendi italiano (especialmente, tudo o que tem que ver com utensílios de cozinha) e sei dizer "O meu nome é Joana. E o teu?" em árabe. Colecciono amigos de toda a parte do mundo e nada me faz mais feliz do que a nossa pequena Torre de Babel.
Aliás, se há coisa que este episódio da Torre de Babel me ensinou é que, no final de contas, o castigo não foi nada de assim tão grave: há sempre alguém que nos compreende, há sempre gestos que nos ajudam a sermos compreendidos e, acima de tudo, estas conversas em idiomas diferentes até nos desenvolvem o cérebro. Os deuses não são assim tão espertos. 

Christmas Eve: the most beautiful night of the year

O meu Calendário do Advento já confirmou: é mesmo hoje. Ainda não eram 10 da manhã e já eu e o Gui estávamos a preparar mousse de chocolate, salada de bacalhau com grão e rissóis de carne. Sim, acertaram: vão ser estas as mostras de gastronomia portuguesa a que os nossos amigos italianos e britânicos terão direito esta noite. Para além disso, ainda lhes vamos dar a provar licor de ginja, queijo da Serra da Estrela, chouriço e ferraduras de erva doce e canela. Mal podemos esperar para os ver deliciados. Afinal de contas, nós, portugueses, temos este orgulho desmedido em mostrar o que é nosso aos outros, não é verdade? E conquistá-los pelo estômago é algo que sabemos fazer muito bem. É certo que, nesta noite, me falta a minha família e as nossas tradições: a ida à ginjinha de Natal (este ano, ouvi dizer, até lá vai o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa!), o jantar onde se mistura alto e baixo Alentejo, bacalhau com grão, batatas e couve e polvo assado no forno, e a ida a casa da tia Dora, em que eu acabo sempre por adormecer no sofá, muito antes das crianças. Mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de sentir que este é o Natal mais querido de sempre, porque o Gui está ao meu lado e ele é também agora parte da minha família. E é isso mesmo que é o Natal: a festa da família. E, às vezes, a família não são só os pais, os irmãos, os avós, os tios e os primos. Às vezes, a família é também uma mesa cheia de amigos. Por isso, estejam onde estiverem, rodeados da família de sangue ou da família do coração, lembrem-se: são vocês que fazem o Natal. Não são as prendas, não é o valor dos bens materiais que oferecem, mas sim o valor do carinho que oferecem a todos os que se sentam convosco à volta da mesa para partilhar esta noite. Daqui, desta mesa de uma bela freguesia londrina, até à vossa mesa num qualquer outro lugar do mundo de onde me lêem, quero desejar-vos o melhor Natal de sempre e partilhar convosco também um bocadinho deste amor e desta felicidade que hoje sinto. Feliz Natal! 

Com amor, 
Joana

  

5 Razões para adorar o Natal em Londres

Estamos a menos de uma semana do Natal e Londres está mais luminosa do que nunca. Não há, sem dúvida, melhor altura do que esta para visitar o Reino Unido. É como entrar num conto de fadas – só falta mesmo é a neve! Resolvi, por isso, partilhar a lista de pormenores londrinos que me fazem gostar tanto do mês de Dezembro aqui por estas bandas.

Feiras de Natal

Os ingleses, ao contrário da ideia que tinha deles, fazem a vida na rua. Aos fins-de-semana, os parques – faça chuva ou faça sol – estão sempre cheios de gente, de crianças a brincar na lama ou na relva, nas poças de água ou nos baloiços e escorregas. Até mesmo durante a semana, depois do horário de trabalho, é frequente ver as ruas cheias de grupos de amigos e colegas que se dirigem para os famosos pubs ingleses. Por isso, há sempre uma lista interminável de lugares para visitar ao ar livre a qualquer hora do dia. Nesta época, as feiras de Natal enchem a cidade. Estas feiras, para além de bancas de world food, são também conhecidas por darem oportunidade aos pequenos artesãos e ao pequeno comércio de se mostrar, uma vez que há imensas barraquinhas de onde podemos tirar ideias para presentes muito originais. Para além disso, há música em muitas destas feiras e, claro, carrosséis para os mais novos. As feiras mais conhecidas são a de Southbank Centre, bem junto ao Tamisa e a de Leicester Square, perto da famosa loja de M&M’s. Mas há muitas outras, mais pequeninas, dentro de igrejas, nos Town Halls (o equivalente às nossas câmaras municipais) e em muitos outros parques e praças da cidade, como Sloane Square, onde podemos ouvir Christmas Carols.

 

Luzes de Natal

Quando se acedem as luzes das ruas mais famosas da cidade, Londres fica ao rubro. Há um evento gigantesco em plena Oxford Street, com concertos de nomes bem conhecidos do panorama musical inglês e até fogo-de-artifício. A rua fica fechada ao trânsito durante um dia inteiro e há quem faça fila para conseguir o melhor lugar desde madrugada. Este ano, as luzes ligaram-se ainda em Novembro, e houve até uma parada de brinquedos, patrocinada pela famosa loja Hamleys, que incluiu desfiles pela rua da da famosa Peppa Pig, da Barbie e do Bob, o Construtor. Mas desengane-se quem pensa que esta é a única rua iluminada. Também a Regent’s Street está iluminada, com anjos feitos de pequenas luzinhas. No ano passado, a decoração desta rua não foi a esperada, mas este ano esmeraram-se! A Bond Street, uma rua onde encontramos marcas como Dolce & Gabana, Ralph Lauren ou Prada, é outra das ruas londrinas que se destaca pela sua luminosidade. Depois, claro, há os centros comerciais e lojas de departamento. A John Lewis esmerou-se na sua montra natalícia, fazendo-nos lembrar o campo, as montanhas, a neve. A House of Frasers brilha até mesmo vista do outro lado da rua e também o Harrods vibra à distânica.




Jantares de amigos

Quando se está longe da família, tudo é um pretexto para juntar os amigos e celebrar. Afinal de contas, são esses mesmos amigos que passam a ser o nosso seio familiar neste país que não é o nosso, que não é a nossa casa. É comum, nesta semana que antecede o Natal, vermos, da rua, as outras casas cheias de pessoas, que se juntam à volta de uma mesa, muitas vezes repleta de uma imensidão de pratos de vários lugares diferentes do mundo, para celebrar a festa da família. O meu grupo de amigos também não quis ser excepção: este fim-de-semana, juntámo-nos para partilhar bacalhau à Brás e mousse de chocolate bem portugueses, mojitos mexicanos e um doce do Bangladesh. Já no ano anterior, partilhei o meu Natal, e mais tarde a minha passagem de ano, com amigas polacas. Esta é também a magia de Londres: a partilha constante de culturas e hábitos de lugares que desconhecemos.

Anúncios de Natal

Quem é que não ficou encantado com o anúncio de Natal que publiquei aqui? É impossível não adorar este casal amoroso de ursinhos de peluche. Mas também é impossível não adorar todas as outras personagens que nascem na criatividade natalícia. Adoro anúncios de Natal e adoro-os porque todos eles passam uma mensagem de paz e amor: exactamente aquilo que esta quadra deve ser. Deixo-vos aqui os meus preferidos!






Christmas Jumpers

Sabem aquelas camisolas de lã super amorosas, que vemos sempre vestidas nas personagens daqueles filmes de Natal? Aqui há uma verdadeira febre por causa dessas camisolas. Todos têm de ter a sua e há quem, depois de tantos anos, reúne já uma colecção de fazer inveja. São as Christmas Jumpers! Há camisolas para todos os gostos: as mais tradicionais e as mais originais, com luzes, com música, com brilhantes… Há até um dia em que todos têm de vestir a sua camisola e levar o espírito natalício para onde forem. As empresas, até mesmo as mais formais, permitem que os seus empregados se divirtam neste dia e, portanto, é comum ver pessoas vestidas com as suas camisolas de lã por baixo de fatos completos!

E por aí? Quais são as razões que vos fazem gostar tanto da época natalícia desse lado do mundo em que estão?

Com amor,

 Joana

Let's go ice skating

É difícil passar um dia em Londres sem nada para fazer: há sempre um parque para visitar, uma feira nova onde comer, uma loja diferente a abrir, uma exposição de arte, conversas com autores em livrarias, e por aí em diante. O ano todo, seja dia de semana ou feriado, as agendas enchem-se de planos. É um dos principais motivos para eu gostar tanto de Londres: poder ter sempre mil e um eventos para escolher. No entanto, a minha altura preferida, como já vos contei, é, sem dúvida, a altura do Natal. A cidade começa a vestir-se de vermelho, verde e dourado no início de Novembro. As ruas enchem-se de pessoas em busca do presente perfeito. Há mais turistas nesta altura do ano do que em qualquer outra. Há bancas de vinho quente em qualquer lugar. Há a Winter Wonderland, uma feira de diversões bem no coração de Londres, no famoso Hyde Park. E há mil lugares onde é possível patinar no gelo. Sim, exactamente: há uma pista de gelo em qualquer esquina. Este ano, eu e o Gui fomos patinar para a pista da Somerset House, um centro cultural, onde, no resto do ano, fazem exposições, concertos e sessões de cinema. 



Sem dúvida que, de todas as pistas de gelo que já vi, esta é a mais bonita: fica naquilo que é um género de claustro do centro cultural, rodeada por arcadas de pedra. Aquilo que a torna mais especial, para além do imponente edifício que a envolve, é o ambiente: a árvore de Natal gigante, o bar onde podemos consumir todas as bebidas quentinhas que nos apetecerem, a música natalícia e animada e as luzes que, enquanto patinamos, vão mudando de cores e desenhando flocos de neve pelo gelo. Obviamente que esta pista de gelo entrou logo para o número um do meu TOP de pistas de gelo, mas há outras que não só eu gostava de experimentar ainda este ano como vocês deviam experimentar também!



Hampton Court Palace Ice Rink

Diz quem já lá foi que o Hampton Court Palace é um lugar inesquecível. Especialmente quando a neve cai e os campos que o envolvem se tornam completamente brancos. Acredito que patinar no gelo lá rodeada de neve seria mais do que mágico. É, sem dúvida, um sítio a colocar na lista. 

Canary Wharf Ice Rink

Canary Wharf é uma zona de Londres lindíssima: há bastantes empresas bem conhecidas que têm os seus escritórios lá, como a Reuters ou a IBM, e a correria daqueles que lá trabalham mistura-se com a calma do rio que passa ali mesmo ao pé. Os prédios enormes e espelhados escondem jardins e praças que, no verão, se enchem de famílias e amigos que fazem piqueniques. No inverno, esses mesmos jardins enchem-se de cor e trazem a magia do Natal, com feiras de produtos artesanais e, claro, a pista de gelo. Este ano o tema da festa é "Luz", o que encaixa na perfeição com o local. Há um bar, que também serve comida, junto à pista de gelo, e, por isso, é o sítio ideal para patinar e jantar de seguida. 

Natural History Museum Ice Rink

O Museu de História Natural é, provavelmente, o museu mais visitado por famílias em Londres. É a casa da famosa exposição de dinossauros e de muitas outras que nos fazem querer ficar por lá um dia inteiro, a descobrir factos interessantes sobre a história do nosso mundo. Cientes de que fazem as delícias de miúdos e graúdos, os responsáveis pelo museu constroem todos os anos uma pista de gelo gigante, decoram-na e às árvores em volta com as conhecidas fairy lights, as luzinhas brancas da árvore de Natal, e deixam que a magia do museu se estenda aos jardins que o envolvem.

Hyde Park Winter Wonderland

A Winter Wonderland, a feira de carrocéis de que falei ali em cima, já é mágica por si só. Há diversões para todas as idades e para todos os gostos: montanhas russas, baloiços, barquinhos, casas de terror... Para além disso, há uma verdadeira panóplia de bancas de comida, essencialmente comida alemã, como cachorros quentes. Lá podemos encontrar também muitas ideias de prendas de Natal: prendas feitas à mão, por artesãos muito criativos. É verdade que há filas e filas e filas de gente para andar em todos os carrocéis e que, especialmente aos fins de semana, é quase impossível andar um metro em menos de dez minutos. Mas vale bem a pena visitar o Hyde Park nesta altura do ano para sentir o verdadeiro espírito natalício londrino. Por isso, acredito bem que patinar neste lugar deve ser igualmente maravilhoso! 



Eu e o Gui divertimo-nos imenso a patinar e, por isso, já estamos a pensar em combinar a próxima visita a uma pista de gelo. Até estamos a pensar em subsitutir o ginásio por este novo desporto.

E vocês, já andaram de patins no gelo este ano? 

Com amor,
Joana


Stonehenge & Bath

No fim de semana passado, recebi uma visita muito especial: a minha mãe esteve em Londres! Passámos quatro dias a passear por todo o lado, jantámos fora, fomos às compras, conversámos muito... A minha mãe já cá tinha estado em Dezembro do ano passado, mas, nessa altura, ficámo-nos apenas por Londres. Desta vez, tendo em conta que ela já conhece os pontos principais da cidade, resolvemos mostrar-lhe um bocadinho mais de Inglaterra. Eu e o Gui fizemos-lhe uma surpresa e levámo-la numa excursão. Os destinos foram Stonehenge e Bath. Enquanto que o primeiro local é conhecido de muitas pessoas, porque se fazem imensos filmes, documentários e reportagens sobre ele, o segundo já é menos popular e turístico. A excursão oferecia uma visita de um dia. Arranjámos os bilhetes na Groupon, com bastante antecedência, e ficou bastante em conta. Confesso que estava um bocadinho preocupada: em Portugal, há muito a ideia de que as excursões implicam sempre que haja um homem de bigode a tentar vender-nos uma cesta de enchidos e também que o público alvo são reformados, por isso, tinha receio de que aqui fosse igual. Mas, não! A excursão era bastante diversificada: havia tanto turistas como locais, e a própria organização tinha consciência disso. Durante a viagem, foram-nos contacto pequenos detalhes, factos históricos e curiosidades dos locais por onde íamos passando, enquanto faziam sugestões de possíveis locais de intneresse. O primeiro ponto de paragem foi em Stonehenge e, depois, partimos para Bath, onde ficámos grande parte da tarde. 

#1 Stonehenge

É impossível não terem visto, pelo menos uma vez na vida, esta estrutura. Era um lugar que eu queria já há bastante tempo visitar, desde que, algures na televisão portuguesa, vi uma reportagem sobre os festejos dos solstícios que acontecem aqui. Esta estrutura é constituída por pedras que medem mais de cinco metro de altura e podem pesar mais de cinquenta toneladas e tem sido um mistério para arqueólogos, historiadores e para a população no geral. A opinião mais defendida é a de que o monumento foi construído como santuário para culto ao Sol e à Lua, ou seja, com uma finalidade religiosa. No entanto, como nos foi explicado durante a visita, o lugar sofreu bastantes alterações com o tempo e com a chegada de diferentes povos à região. Houve quem utilizasse o lugar como cemitério e é por isso que, ainda hoje, se podem ver montes de terra e erva, que era utilizados como valas para os corpos. As pedras estão colocadas em círculo de uma forma tão matemática que, na altura do Solstício de Inverno e de Verão, o sol fica excatamente alinhado com elas. Hoje em dia, Stonehenge é parte da English Heitage e da National Trust e, portanto, são estas associações que tomam conta do lugar. Confesso que adorei! Foi tão engraçado estar junto a um dos monumentos que mais questões levanta, que mais dúvidas coloca e que mais interesse histórico desperta. A visita em cima não demora muito tempo: em cerca de quarenta minutos, é possível percorrer o círculo, ler as placas com informação e ainda aproveitar para tirar fotografias. 




#2 Bath

Não sabia onde ficava Bath nem o que havia lá para ver, à excepção dos antigos banhos romanos. Não sei se foi a inexistência de expectativas, mas, assim que pus o pé fora do autocarro, apaixonei-me pela cidade. Parece que entrámos numa máquina do tempo e fomos transportandos para outro século. A cidade é muito medieval, cheia de construções da época romana, e é algo que nunca pensei que fosse encontrar em Londres. Primeiro, fica num vale: a chegada à cidade é encantadora, vemos as monstanhas muito verdes e um povoado, atravessado por um rio, lá ao fundo. Depois, é única em todos os sentidos: não só pelo tipo de construção, mas também pelo comércio e pelas curiosidades. Pelo caminho, encontrámos uma loja chamada 25th of December, cheia de decorações de Natal e outra com decorações feitas apenas de frutos secos. E sabiam que o prédio mais antigo de Inglaterra ainda habitado fica em Bath? Nesse prédio, que hoje é um restaurante, serve-se comida em pratos feitos de pão. A fila para este restaurante é gigante, por isso não consegui experimentá-lo, mas pode ser que o dia volte! Para além dos spas e banhos da época romana, podem ver uma ponte que liga os dois lados da cidade e uma catedral gigante. Confesso que gostava de ter lá ficado mais umas horas, porque ainda ficou muito por ver e viver, mas o tempo que lá estive foi suficiente para perceber que não me importava nada de me mudar para lá! 






Com amor,
Joana

Wanderlust wishes

Mudei-me para Londres em Junho de 2015. Passei um ano inteiro deliciada com esta cidade: conheci os seus cantos e recantos e ainda me falta riscar tanto desta lista interminável. Quase que me esqueci, durante este tempo, que Londres é só uma pequena parte deste reino tão grande. Mas, felizmente, o Gui é tão maluco por descobrir novos lugares quanto eu e, juntos, temos viajado para mil e um lugares igualmente (se não mais) maravilhosos. Em meio ano, visitámos Plymouth, Cambridge, Brighton, Bath, Stonehenge, Birmingham, Edimburgo, Glasgow e Cardiff. De autocarro (às vezes, em viagens que duram mais de 10 horas) ou de comboio e de mochila às costas, subimos montanhas, entrámos à socapa (e sem saber) em jardins de estranhos, andámos de gôndola, vimos cenários e filme e guardámos muitas recordações na nossa caixinha. Destes lugares, vou falar-vos um por um. A seu tempo. Com muitas fotografias e histórias engraçadas pelo meio. Hoje, quero antes contar-vos quais são os lugares que ainda queremos visitar. Esta é, então, a wishlist de viagens pelo Reino Unido. 

#1 Lake District

Imagem retirada da Internet
As imagens falam por si, certo? Não é preciso grandes justificações para colocar este lugar na minha lista. Tal como o nome indica, esta zona é rica em lagos que são verdadeiros espelhos de água. O lugar é constituído por um Parque Nacional gigantesco onde encontramos a maior montanha inglesa: Scafell Pike. É conhecida especialmente entre os amantes de escalada, mas qualquer pessoa se pode aventurar por lá. O parque faz parte da National Trust, de que já vos falei aqui. Ainda não sei quando vai surgir a oportunidade de ir até ao Lake District, mas está sem dúvida no topo das minhas próximas escolhas.  

#2 Falmouth

Imagem retirada da Internet

Já tive a oportunidade de conhecer parte da Cornualha quando viajei para Plymouth. Fiquei apaixonada. Sempre vivi perto do mar, em Portugal, e, por isso, é das coisas de que mais sinto saudades em Londres. Mas a Cornualha tem uma zona costeira de meter inveja a muitas praias portuguesas (embora não lhes passe à frente, descansem).  Por isso, quando soube que a Megabus tinha aberto uma rota de autocarros para as Falmouth fiquei super feliz. A viagem é longa, mas tenho a certeza de que valerá a pena. 

#3 Kent


Kent não fica muito longe de Londres, por isso facilmente chego lá. O local é conhecimento como O Jardim de Inglaterra e, portanto, só pelo nome podemos ver que é bastante apetecível. Gostava de visitar um bocadinho de toda a região, mas aquilo que não pode mesmo faltar são os White Cliffs of Dover. Deste lugar dá para avistar França em, para além disso, olhar para as rochas brancas e para o mar tão azul é como se estivessemos a apreciar uma verdadeira pintura ou um daqueles postais que nos enviam do outro lado do mundo e nos cortam a respiração.

Há muitos outros lugares que gostava de visitar, como Stratford Upon Avon, o Loch Ness ou Swansea, mas este é o meu TOP 3, sem dúvida.

E vocês, já visitaram algum destes lugares? Que sítios gostavam de visitar no Reino Unido?

Com amor, 
Joana

Remember, remember... The 5th of November!



(Esta publicação contém excertos e passagens de um texto que publiquei no ano passado no website Travel&Taste.)
V for Vendetta. Sabem, aquele filme com a maravilhosa Natalie Portman? Claro que sabem. O filme já passou dezenas de vezes na televisão e continua a ser um verdadeiro sucesso, mesmo depois de tantos anos que já se passaram desde a sua estreia. Ora, o que se calhar vocês não sabem é que este filme conta uma história verídica, passada no Reino Unido, no ano de 1605. Foi neste ano que um grupo de católicos, liderado por Robert Catesby, planeou um ataque minucioso ao Rei Jaime VI da Escócia. Este ataque, que ficou conhecido como a Conspiração da Pólvora, consistia em fazer explodir a Câmara dos Lordes, durante a abertura do parlamento. Quando? No dia 5 de novembro. O objetivo final era matar o rei protestante, já que este privilegiava aqueles que partilhavam com ele a mesma religião, em detrimento dos católicos. O ataque começou a ser planeado em março: um perito em explosivos, Guy Fawkes, preencheu toda a zona subterrânea abaixo do parlamento com 36 barris de pólvora, contendo 1800 libras de material explosivo. Tinha tudo para dar certo. No entanto, algo falhou. O grupo de conspiradores, temendo a morte de outros católicos, enviou avisos aos religiosos para se manterem afastados do parlamento no dia previsto para a explosão, mas um desses avisos chegou aos ouvidos do rei. Assim, seguranças foram enviados até aos túneis subterrâneos e os explosivos foram descobertos e desativados. Os traidores foram torturados e mantidos presos. Desta feita, o parlamento inglês sobreviveu até aos dias que correm e, ainda hoje, a Rainha, para que não se esqueça o simbolismo deste acontecimento, desce até aos mesmos túneis em novembro. Contudo, não é só a Rainha que nesta cerimónia recorda a Conspiração da Pólvora. Pelo Reino Unido, durante a primeira semana de Novembro, os céus enchem-se de fogo de artíficio. Os festejos começam na Bonfire Night (Noite da Fogueira). Por todo o reino, milhares de pessoas juntam-se nas casas, nos parques, nos jardins e à beira do Tamisa para lançarem foguetes ou reúnem-se em volta de fogueiras. Todos estes símbolos pretendem relembrar o fogo que se ia devastar Londres se o atentado não tivesse sido impedido.  No ano passado, presenciei, pela primeira vez, estes espectáculos pirotécnicos. Na altura, estava a trabalhar numa loja e o meu dia de trabalho começava às 6 horas da manhã, pelo que não me foi possível festejar este dia fora de casa. Vi o fogo de artíficio da janela do meu quarto, deitada na minha cama. Nesse dia, prometi a mim mesma que, dali a um ano, estaria a apreciar os céus ingleses em primeiro plano, numa das festas mais famosas da cidade - a que acontece em Alexandra Palace, em Londres. E assim foi. Este ano, estive lá, na colina mais alta do parque, que permite ver a maravilhosa cidade iluminada. Os festejos começaram por volta das 15 horas, com uma feira de carrosséis para pequenos e graúdos, e prosseguiram durante toda a tarde. Houve um festival de comida de rua, de cerveja alemã e ainda um laser show.  Quando a noite caiu, houve uma parada alusiva ao Dia de Los Muertos e acedeu-se a fogueira. Às 20 horas o espetáculo pirotécnico começou e só por volta das 22h é que o barulho dos foguetes cessou. Esta um frio de rachar. As minhas mãos estavam congeladas. Mas valeu a pena. A festa foi linda. Eu gosto de espectáculos pirotécnicos desde que me lembro e este foi um dos mais bonitos que já presenciei. Por isso, já sabem... Se para o ano estiverem por Londres no dia 5 de Novembro, não deixem de visitar Alexandra Palace e deliciarem-se com as cores e luzes que enchem os céus londrinos.