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NO PRATO | Ao 26 - Vegan Food Project


Quem me conhece sabe que experimentar novos restaurantes e pratos diferentes é um dos meus passatempos preferidos. Desde que regressei a Portugal e deixei de comer carne as opções reduziram-se, é verdade. Mas, para ser sincera, esse facto tem tudo de positivo: a intensidade de sabores na cozinha vegetariana ou vegana é muito mais interessante para as minhas papilas gustativas. E, para além disso, há cada vez mais restaurantes que oferecem opções para aqueles que retiraram da sua alimentação os produtos de origem animal. Isso deixa-me, sem dúvida, muito feliz.

Estes dois meses em Portugal têm sido, por isso, uma constante aventura na procura de novos lugares para provar pratos maravilhosos. Na semana passada, recebi a visita de um amigo que conheci em Londres e, sendo ele vegan, quis levá-lo a um lugar que há muito já andava para experimentar. O Ao 26 - Vegan Food Project. Através da aplicação da Zomato, que me dá sempre um jeito enorme, encontrei a morada do restaurante, dei uma vista de olhos nas opiniões dos outros utilizadores e, curiosa, lá fui eu até à Rua Victor Cordon. Claro que me enganei na rua, porque me distraí com a chuva e com a conversa, mas valeu a pena andar às voltas para descobrir aquele sítio.

Entrámos numa sala muito diferente daquilo que esperava: o lugar é cuidado, luminoso, e, sinceramente, mais chic do que aquilo que eu esperava. Na mesa, tínhamos à nossa espera a lista de pratos, dividida em petiscos, saladas e tostas. Descobrimos ainda que há a possibilidade de escolher a opção de menu, composto por um prato principal e sopa. As vantagens de escolher o menu? É sempre diferente e apresentam-nos duas opções. Ou seja, hoje experimentam um sabor, amanhã têm outro à vossa espera.


Na hora de fazer o pedido, ajudados por uma empregada bastante simpática, eu optei por um mini burger de feijão frade e trigo sarraceno, acompanhado de quinoa mediterrâneo, alface e legumes salteados. O E. pediu um hambúrguer de beterraba com alface e queijo vegan. Para beber, ambos experimentámos a limonada caseira e muito fresquinha. Fomos servidos poucos minutos depois de pedirmos e presentearam-nos com pratos que, só de olhar, dava vontade de devorar num ápice. Não provei o hambúrguer do E., mas o meu estava delicioso. Como disse, o bom de uma cozinha sem produtos de origem animal é que, na minha opinião, todos os outros sabores são mais vivos: através do uso das especiarias, as leguminosas, os cereais e os verdes que em crianças  nunca pensámos comer transformam-se em explosões de sabores que se tornam viciantes. E o Ao 26 pareceu-me saber exactamente quais as combinações ideais.

Depois do prato principal, e quase já sem espaço para mais comida, não quisemos sair sem experimentar a sobremesa. O E. escolheu um leite creme (vegan, claro) e eu o bolo de chocolate. Quando comecei a reduzir os produtos de origem animal na minha alimentação, as sobremesas eram a parte mais difícil sempre que comia fora: a maior parte delas tem leite ou natas. Mas a verdade é que cada vez mais descubro que há alternativas para tudo e que, muitas vezes, tudo é mais saboroso e mutio menos processado. Foi isso que senti ao trincar aquele bolo de chocolate: os sabores são verdadeiros e nada em mim se ressente pois não há açúcar branco ou ingredientes industrializados do género.

Com tanta simpatia e boa comida, o Ao 26 pode ter a certeza de que ganhou uma fã que os irá visitar muitas mais vezes.



O restaurante está aberto de segunda a sábado. Atenção que no primeiro dia da semana, fecha às 15:30. Nos restantes dias, está aberto até às 23:00.

Se querem um conselho de amiga, façam reserva!
Quem já passou por lá?

Como foi a vossa experiência?

Com amor, 

MOTHER EARTH {we are one}


{Escrevi este texto há dois anos. Não podia deixar de o partilhar agora.}

"You carry Mother Earth within you. She is not outside of you. Mother Earth is not just your environment. In that insight of inter-being, it is possible to have real communication with the Earth, which is the highest form of prayer."

Está a chover lá fora: a água da chuva inunda o jardim e deixa um cheiro intenso a terra molhada. Consigo ouvir a chuva e consigo sentir o odor da natureza, embora tenha as janelas do quarto fechadas. É de noite e há nuvens no céu, que escondem as estrelas e a lua. O coração da Mãe Terra pulsa por baixo dos meus pés, por baixo deste chão, por baixo do mundo e em volta dele. É a vida na sua plenitude. Não há nada mais bonito do que esta vida, no seu estado mais puro.
Hoje é o Dia da Terra e eu escrevo sobre ele, para me lembrar de que todos os dias é possível sentir aquela que nos sustenta, aquela que nos dá vida, aquela que é a nossa casa. Escrevo para me lembrar porque me esqueço demasiadas vezes: corro de um lado para o outro, descuidando-me nos pequenos detalhes que vão estragando aquele que é o nosso bem mais valioso: o nosso planeta. E não me quero esquecer.
Porque esquecer-me deste planeta é esquecer-me de mim própria.
Esquecer-me de que a Terra sou eu é perder-me.
Porque, sim, ela está dentro de nós e, com ela, somos um ser único.
Por isso, quero lembrar-me. Quero amá-la. Quero amar-me. Quero amar todos os outros seres que tornam o nosso pequeno-grande planeta azul um grande coração de energia. Que colocar a mão na terra molhada do jardim inundado lá fora e semear esse meu amor que se tornará o amor de todos nós.
E quero fazê-lo todos os dias. Para sempre.


Com amor,
Joana

Joana on the green path: going veggie

Há mais de um mês que ando a pensar em iniciar a minha rubrica Joana on the green path, mas decidi que não havia melhor ideia do que esperar até ao mês de Março. Afinal de contas, este é o mês em que voltamos a encher-nos de cores: começa a Primavera, os dias ficam mais longos, o sol brilha e as árvores vestem-se de flores. A energia pesada do Inverno começa a dar espaço aos sorrisos leves que crescem com o calor e, por isso, Março é, assim, o mês perfeito para vos levar neste meu caminho por uma vida mais verde. Desde que me inciei no mundo do yoga que, por acompanhar de perto muitos outros exemplos, estudar e ler muito, fui também alterando outros aspectos da minha vida. A prática de yoga deixou de ser algo puramente físico e levou-me numa descoberta sobre as mil e uma maneiras de tornar este mundo um lugar mais feliz, transpondo as maravilhosas mudanças que acontecem dentro de mim para o exterior. Porque me sinto bem e feliz tenho também vontade de fazer o bem. Com pequenos passos, como usar produtos naturais para limpar a minha casa ou deixar de utilizar sacos de plástico para colocar as compras do supermercado, sei que posso contribuir para um mundo mais verde e, consequentemente, para um maior bem-estar de todos nós que aqui habitamos. Esta nova rubrica é a minha forma de vos contar mais sobre este meu percurso de aprendizagem constante e de criar, aqui no On Being Joana, um espaço em que todos nós podemos partilhar informações interessantes e úteis sobre uma vida mais ecológica. Parece-vos bem?



Joana Goes Veggie - A Journey

Para começar este meu caminho, decidi contar-vos a minha experiência pelo mundo do vegetarianismo. Na verdade, já tinha tentado deixar a carne por completo quando vim morar para Londres, porque aqui há mil e uma opções vegetarianas em qualquer restaurante e a carne, digam o que disserem, não é assim tão boa. Mas a experiência correu um bocadinho mal. Foi demasiada alteração ao mesmo tempo: um país mais frio, menos sol, sem família e vegetariana de um dia para o outro? O meu corpo entrou em colapso. Tinha quebras de tensão todas as manhãs e andava mais do que cansada: estava completamente exausta. Na altura, vivia com uma senhora que é piscetariana (ou seja, come peixe mas não come carne) e ela aconselhou-me a recuperar primeiro e a ambientar-me a esta cidade e a todas as alterações que a minha vida estava a sofrer e ler bastante sobre o tema e só depois, com consciência e calma, fazer as alterações que pretendia. Foi exactamente isso que fiz: primeiro, deixei a carne vermelha e enchi o meu prato de verduras. Continuei durante um ano a consumir carne branca e peixe. No início de 2017 senti-me preparada para tal e deixei de comer carne por completo. Neste momento, só como peixe. Já passaram dois meses desde esta grande mudança e, até agora, nunca me senti mal nem exausta nem tão pouco tive quebras de tensão. Sinto-me bem e, sobretudo, sinto-me feliz com a minha decisão. Ouço muito o meu corpo e deixar de comer carne foi uma consequência disso mesmo. Sinto-me melhor quando como alimentos de cores vivas e de sabores fortes que estimulam todos os meus sentidos. A carne, obviamente, não entra nesse grupo de alimentos. Sentir-me tão bem ao comer alimentos tão ricos e cheios da maravilhosa essência da Mãe Natureza fez-me compreender que esse é o caminho a seguir: sem justificações e grandes questões. Respirando. Respeitando o meu corpo. Porque tudo é um caminho. E porque esse caminho é para ser feito apreciando todos os seus altos e baixos. Com calma. Sei que, aos poucos e poucos, vou descobrindo cada vez mais alternativas saudáveis para este meu novo estilo de vida: porque, ao contrário do que se pensa, ser vegetariano nem sempre é ser mais saudável (sim, envolve grandes quantidades de hidratos de carbono!). E sei que, a pouco e pouco, vou ouvindo cada vez mais aquilo que o meu interior me conta. Por onde ir a seguir? Que melhorias fazer para estar mais perto da minha essência? O tempo responder-me-á. O importante é que tudo seja feito com equilíbrio, porque é equilíbio que quero para a minha vida.


Quem é que, por aqui, também faz dos legumes os seus melhores amigos? Quais são as vossas receitas preferidas? Quais os alimentos que não dispensam no vosso dia-a-dia? Quero ouvir a vossa experiência e partilhar aprendizagens e ensinamentos. Contem-me tudo!

Com amor, 
Joana