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OS ÚLTIMOS TEMPOS | DOIS MESES EM PORTUGAL


O regresso a Portugal foi uma aventura. Muitos de vocês perguntaram-me várias vezes se estava tudo bem comigo e com o blogue, se ia deixar de escrever, se precisava de ajuda. Todos receberam a mesma resposta: está tudo bem, mas o tempo tem sido pouco. Isso foi verdade no primeiro mês. Cheguei dia 22 de Abril, confiante de que, depois de uma semana a viajar pelo Douro, a viver umas merecidas férias, ia chegar à casa que alugámos e pôr as mãos na massa, que é como quem diz desfazer as malas, mobilar a casa e dedicar-me aos meus projectos e à procura do trabalho de sonho. Como a vida adora pregar-nos partidas, para colocar à prova os nossos níveis de paciência e resistência, a dois dias do fim da viagem descobrimos que, afinal, a casa alugada não ia estar disponível na data em que era suposto. O que é que isso significava? Que dali a dois dias não tínhamos sítio onde ficar. Claro que havia a opção de ficarmos em casa da minha mãe, mas, como o Gui ia começar a trabalhar dali a três dias, ia ser desconfortável para todos: a casa não é assim tão grande e íamos passar a ser seis pessoas lá dentro. Ficámos nervosos e tristes, mas, no meio das férias, lá conseguimos arranjar maneira de entrar em contacto com um amigo que vive em Londres e que aluga a casa em Lisboa. Para nossa felicidade, a casa estava vaga entre o dia a partir do qual precisámos e até à segunda data que nos foi dada como data para a mudança para a casa definitiva. É certo que o problema se resolveu, mas não deixou de ser um transtorno enorme, porque era a altura em que mais precisámos de algo certo. Durante alguns dias, vivemos, assim, numa casa temporária e tudo passou a estar em stand-by. Para mim, foi quase como uma continuação das férias mas, em vez de elas acontecerem no Douro, aconteciam agora em Lisboa. Estive com alguns amigos, vi a minha família, matei saudades desta cidade linda e, ao longo do tempo, fui-me sentindo cada vez mais em casa. Mas, na verdade, com tanta indecisão (será que íamos mesmo conseguir mudar para a casa definitiva no dia esperado? será que íamos ter tempo de conciliar os arrumos e as compras para a casa com o horário de trabalho do Gui? será que ia haver mais surpresas?), eu fui perdendo aquela energia com que cheguei a Portugal. Mudámo-nos para a casa nova no dia combinado, houve tempo para tudo e não houve assim grandes surpresas no entretanto. Arranjámos uma amiguinha nova para o nosso gato Oreo, a Noor, mobilámos a casa, que está mesmo a nossa cara, embora ainda lhe falte quadros nas paredes, descobrimos o nosso bairro, limpámos o nosso jardim, cuidámos da laranjeira, plantámos pimentos, ervas aromáticas, morangos e flores novas e ainda descobrimos aloé vera pelo meio, avançámos no planeamento do nosso casamento, tomámos decisões importantes, fomos à praia nos dias mais quentes e vimos o pôr do sol durante muitas semanas seguidas. Hoje, celebramos dois meses em Portugal. E eu, finalmente, acordei cedo, saí de casa e sentei-me a escrever (para mim e paa vocês) num café pequenino aonde costumava vir antes da minha aventura por terras de Sua Majestade. A verdade é que não "arranjei tempo". Arranjei energia. A falta de tempo e de segurança que senti no início deste regresso trasnformou-se mais tarde em falta de energia. Energia para me dedicar à escrita e aos projectos que me fazem sorrir o coração. Porquê? Ainda não descobri a resposta, mas sei que tenho procrastinado muito neste aspecto. É mais fácil riscar aquelas tarefas menos importantes da lista, como ler os folhetos das promoções da semana ou mudar a areia da caixa dos gatos, em vez de me sentar comigo mesma. Ouvir-me. Colocar em palavras aquilo que o meu coração diz. E depois é só mais uma bola de neve: a falta de energia acumula-se e transforma-se numa avalanche de dúvidas e questões ao que sou, que por sua vez sugam mais energia e por aí em diante. Essa falta de energia, que trouxe consigo as questões e as dúvidas, levou-me a parar e a fazer um balanço de tudo aquilo que me comprometi a fazer e tentar descobrir se ainda tudo faz sentido. E a verdade é que, dentro do meu coração, faz. Então, hoje, acordei cedo, vesti um vestido cheio de flores para me ajudar a sorrir melhor e sorri durante todo o caminho até ao café bonito que escolhi para esta manhã. A mente, com todos os seus fantasmas, pode cansar o coração, mas a verdade é que ele sabe sempre como (re)encontrar o seu caminho e a sua paz. O segredo é escutá-lo. 



E VOCÊS, O QUE É QUE PODEM ESPERAR DO BLOGUE AGORA?
~ Muitos conselhos na rubrica Viver em Londres, para quem quer pôr pés ao caminho,
~ Muito amor pela Mãe Natureza na rubrica Joana Goes Green (experimentei uma data de produtos vegan de que vos quero falar),
~ Histórias inspiradoras na rubrica Other Voices,
~ Um desafio bonito, 
~ Histórias das minhas viagens! 

Quem continua por aqui? Quem é novo por cá?

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MOTHER EARTH {we are one}


{Escrevi este texto há dois anos. Não podia deixar de o partilhar agora.}

"You carry Mother Earth within you. She is not outside of you. Mother Earth is not just your environment. In that insight of inter-being, it is possible to have real communication with the Earth, which is the highest form of prayer."

Está a chover lá fora: a água da chuva inunda o jardim e deixa um cheiro intenso a terra molhada. Consigo ouvir a chuva e consigo sentir o odor da natureza, embora tenha as janelas do quarto fechadas. É de noite e há nuvens no céu, que escondem as estrelas e a lua. O coração da Mãe Terra pulsa por baixo dos meus pés, por baixo deste chão, por baixo do mundo e em volta dele. É a vida na sua plenitude. Não há nada mais bonito do que esta vida, no seu estado mais puro.
Hoje é o Dia da Terra e eu escrevo sobre ele, para me lembrar de que todos os dias é possível sentir aquela que nos sustenta, aquela que nos dá vida, aquela que é a nossa casa. Escrevo para me lembrar porque me esqueço demasiadas vezes: corro de um lado para o outro, descuidando-me nos pequenos detalhes que vão estragando aquele que é o nosso bem mais valioso: o nosso planeta. E não me quero esquecer.
Porque esquecer-me deste planeta é esquecer-me de mim própria.
Esquecer-me de que a Terra sou eu é perder-me.
Porque, sim, ela está dentro de nós e, com ela, somos um ser único.
Por isso, quero lembrar-me. Quero amá-la. Quero amar-me. Quero amar todos os outros seres que tornam o nosso pequeno-grande planeta azul um grande coração de energia. Que colocar a mão na terra molhada do jardim inundado lá fora e semear esse meu amor que se tornará o amor de todos nós.
E quero fazê-lo todos os dias. Para sempre.


Com amor,
Joana

ACMA | HOBBIES & PASSATEMPOS | O Meu Yoga


A Primavera chegou e, com ela, trouxe um sentimento de energia renovada: a vontade de mergulhar mais fundo no yoga. No meu yoga. E é dele que vos falo hoje, nesta nova participação no Projecto A Cultura Mora Aqui (ACMA), que pretende descobrir mais sobre os nossos hobbies e passatempos. 


São seis da tarde. A minha casa está em silêncio. Não há muita luz, porque, hoje, por estes lados, o sol não se deixou ver, apesar de ter lido pela Internet que a primavera chegou a muitos pontos do país. Está frio. Vou buscar o meu tapete de yoga roxo, os meus blocos cinzentos e o meu cinto azul. Desenrolo o tapete pelo chão da sala e sento-me. Fecho os olhos. Apetece-me ficar só aqui sem fazer nada, sem dizer nada, sem pensar em nada. Apetece-me ficar aqui a sentir, apenas. Primeiro, a minha respiração. Profunda, a acalmar a pouco e pouco. Depois, todo o turbilhão de emoções que andam por aqui, que têm andado: não só à flor da pele, mas em toda a sua profundidade. E é isso mesmo que faço. Camada após camada de pele vou descascando tudo. Vou deixando o meu corpo fragmentar-se, inspirando, expirando, inspirando outra vez. Vou-me partindo em pedacinhos cada vez mais pequenos de pele e de corpo. Inspirando o ar da minha casa, que cheira a lavado, e expirando pedacinhos cada vez mais pequenos de coisas acumuladas, sujas, desnecessárias. Lágrimas, gritos, dores, memórias. Vou retirando o peso de tudo e vou ficando mais leve. Cada vez mais leve. E, de repente, sou só um ponto de luz, a tentar livrar-se da escuridão que se acumula ano após ano. 
Há pouco mais de três meses, eu era só uma pessoa que achava que só precisava de uma hora por semana de calma e de espaço para respirar e para estar focada em mim: depois, vivia o resto da semana agitada, nervosa, como sempre. Iludia-me muito. Todos os dias. 
Há pouco mais de três meses, era tão difícil chegar ao ponto em que me permito a sentir tudo aquilo que há para sentir. Era tão difícil permitir-me a estar ali: vulnerável e fragmentada. Ouvia as palavras daqueles que me tentavam guiar até ao lugar da leveza e pensava: "Não consigo. Não posso. Não quero chegar a esse ponto. Não me façam sentir isto. Quem é que vos disse que me quero libertar do que tenho cá dentro? Faz parte de mim. É aquilo que eu sou. São as minhas coisas.". Queria ser "uma pessoa forte", queria ser "melhor", queria ser, na verdade, tudo menos eu e, de preferência, continuando a iludir-me, a arranjar escapatórias. Mas, depois, tornou-se tão necessário parar tudo: deixar-me ser vulnerável e fragmentada. Tornou-se tão necessária a comichão na garganta, que me fazia tossir em todas as posturas de yoga mas que me libertava e criava espaço para novas palavras e novos sons. Tornou-se tão necessário o nó na garganta que me sufocava mas que, aos poucos, me ensinava a pedir aquilo que sempre quis e a dizer aquilo que sempre precisei de dizer. Tornou-se tão necessário sentir as lágrimas quentes a escorrer pelo meu rosto, lágrimas de contentamento por estar, por fim, a partir a carapaça e a pedra que me envolvia e que eu nem sabia que tinha. Tornou-se tão necessário ter o meu coração quente de felicidade. 


Se, há dois anos atrás, me dissessem que, dois anos depois, ia ser esta pessoa que sou agora eu teria rezado para que se enganassem. Eu resistia, sim. Contrariava-me. Contrariava a minha verdadeira natureza, as minhas necessidades, as minhas emoções. Fugia. E não entenderia se me dissessem que desenrolando um tapete, fechando os olhos, respirando e carregando no botão "STOP" da vida que levo por uns momentos estaria a carregar no botão "PLAY" da vida que quero real e verdadeiramente levar. 
Se antes eu achava que, para ser feliz, precisava de ser a minha definição de forte e de estar segura de todas as minhas decisões, de ter o que achava que queria naquele momento no exacto momento em que queria, de me proteger na minha carapaça de todos aqueles que podiam atacar a minha vulnerabilidade, hoje, tenho a certeza de que não podia estar mais errada. 
Hoje, sei que ser forte Ã©, para além de permitir-me a sentir o turbilhão de emoções à flor da pele e em toda a sua profundidade, libertar-me daquilo que é desnecessário respiração após respiração, criando espaço para novas vivências e para continuar o meu caminho. Ser forte é permitir-me a fraquejar, a deixar-me ser vulnerável, a deixar-me inundar por todo este mundo cheio de outras pessoas maravilhosas e carregadas de ensinamentos, colocadas no meu caminho para me levarem mais longe e me fazerem mais feliz. Ser forte é deixar-me ser o ponto de luz deitado no tapete, fragmentado. 
Hoje, olhando para o presente, para o ponto de luz deitado no tapete roxo, vejo alguém que descobre, todos os dias, um caminho que vale a pena, alguém que aprende a apreciar os pontos mais escuros de si própria e libertar-se deles quando é chegada hora, alguém que consegue começar a ver com clareza, a sentir com amor. Vejo alguém que sabe que ainda há um longo caminho pela frente, alguém que está em pulgas para o percorrer. Vejo alguém com sede de aprender, de crescer mais, de desatar mais nós e de limpar mais janelas, para que fique tudo brilhante. 
A minha prática de yoga começou por ser o meu hobbie: uma aula à quinta-feira, num estúdio no Campo Pequeno. Depois o Yoga mudou-me. Mudou-me sem eu sequer dar por isso. Questionou as minhas crenças, as minhas relações humanas, os meus gostos, as minhas necessidades. E dá-me tudo aquilo de que eu preciso para aprender a lidar comigo, com o mundo, com a vida e com os sentimentos, sensações e pensamentos de uma maneira mais consciente, mais grata e mais feliz. Hoje, sei que o yoga é um estilo de vida: a forma como olho para mim, como reajo ao que me acontece, a calma que encontro depois de um grito de frustração ou a vontade de parar e ouvir o meu coração depois de uma tempestade de sentimentos. 


Podem ver mais publicações escritas por mim para este projecto aqui. 

Lista de criadores:


E tu? Também gostavas de participar neste projecto? Se a resposta for positiva, então não esperes mais: envia já um e-mail para acma.cultura@gmail.com. 

Já sabes, não falaremos de moda nem acessórios, mas daremos banhos de cultura ao mundo dos blogues e bloggers. Ah, muito importante: se és Youtuber não te acanhes. Também tu podes participar neste projecto! 

Não se esqueçam de visitar a página do Facebook do projecto e ainda dar uma vista de olhos aos blogues participantes. 

Writing: my favourite kind of meditation

Meditar. Diz-se por aí que meditar está na moda. De repente, o mundo está cheio de palavras como "mindfulness", as livrarias estão cheias de livros onde se pintam mandalas e a loja de aplicações dos nossos telemóveis sugere-nos várias vezes por dia para que façamos o download de uma app que promete desligar o nosso cérebro e, assim do nada, levar-nos ao nirvana.
Nunca fui grande fã daquele tipo de meditação em que nos pedem para fechar os olhos e apenas estar ali. Há muitas pessoas que pensam que tenho uma prática de meditação diária, porque pratico yoga, mas não tenho. Às vezes, sim, apetece-me apenas "existir", sentada no chão, de pernas cruzadas ou deitada no tapete. Mas é raro. Eu encontrei outras formas de meditação que funcionam melhor para mim.
A verdade é que cada pessoa funciona de maneira diferente: há quem goste de pintar mandalas, há quem medite enquanto faz jardinagem, há quem prefira meditações guiadas, há que não queira sequer ficar em silêncio. E, claro, está tudo bem. Não é preciso comprarmos CDs, livros, aplicações que nos ensinem a meditar. Nós somos capazes de encontrar as nossas próprias formas. Bem dentro de nós. Faz o que for melhor para o teu coração. 
Hoje, quero falar-vos da minha prática de meditação preferida: escrever.
Desde que me lembro que me expresso muito bem através de um papel e de uma caneta. Não construo frases muito elaboradas nem obras literárias magníficas, mas consigo deitar cá para fora o que vai no meu coração e na minha cabeça através das palavras. E essa foi a forma que eu encontrei de organizar os meus pensamentos e conseguir estar calma. Quando algo de menos bom se passa, quando a minha cabeça está a mil, quando o meu coração não sossega, escrevo.
Quando era mais nova, tinha milhares de cadernos espalhados pela casa onde escrevia: contos, frases, palavras, cartas. Hoje, ainda tenho os meus sítios secretos onde escrevo: agora dentro de malas de viagem ou na estante do quarto. Escrevo para mim e muitas vezes escrevo para os outros, quando as palavras me entopem a garganta. Antigamente, esgotava até os caracteres das mensagens nos meus telemóveis e enviava mensagens partidas para não se transformarem em MMS. 
Escrevi em cinco ou seis blogues diferentes e agora escrevo neste. Escrevo em aviões, quando consigo ver o mundo de cima. Escrevo à noite, de manhã e, às vezes, até de madrugada, com um olho meio aberto e outro fechado. Os dias em que mais escrevo são os dias em que mais consigo sossegar o meu coração. E é por isso que sei que esta é a minha melhor forma de meditar: deixo os pensamentos fluir do meu coração para o papel e, depois de muitas páginas cheias ou de apenas uma linha ocupada, respiro fundo, estico os braços e sinto-me leve. Capaz de voar. 



{Obrigada à Sónia por me relembrar do quão feliz me sinto depois de escrever.}

Let's get enlightened about ourselves


Há uns tempos, numa tarde de procrastinação, cruzei-me com um documentário chamado Enlighten Up. Não sou fã de documentários e, geralmente, nem paro para ler a descrição dos filmes deste género, mas desta vez foi diferente.
O documentário foi feito por um realizador que tinha um plano muito simples: escolher alguém e acompanhar essa pessoa numa viagem pelo mundo do yoga, até que ela descubra uma prática que a transforme completamente. E foi exactamente a pessoa que ele escolheu que me fez ficar presa ao ecrã: nada mais nada menos do que um jornalista. Ora, tendo eu estudado jornalismo e sendo apaixonada pela mundo do yoga, fiquei logo com a minha curiosidade no pico. Também eu quis fazer aquela viagem, também eu quis descobrir mais, experimentar mais. E ainda quero.

"A mente de um jornalista é igual à mente de um yogui: ambos querem sentir as coisas, ambos querem experimentar tudo, para provar que é verdade e não tomar como certo as palavras de outra pessoa."

A verdade é que cada um de nós encara a vida de uma perspectiva muito própria. Cada um tem a sua própria perspectiva de realidade. Mas, muitas vezes, somos, neste mundo, incitados a pensar como todos os outros. E isso tira-nos toda a experiência de viver. A verdadeira.
Por isso, hoje, convido-vos a viverem um dia através dos vossos próprios olhos. Com curiosidade. Com vontade de conhecer. Sejam os jornalistas das vossas vidas: investiguem esses sentimentos guardados dentro de vocês próprios e tentem encontrar respostas para as vossas perguntas. Quem sou eu? Porque me dói a garganta, será que deixei algo por dizer? O que é este peso no coração? Porque é que isto faz um sorriso nascer nos meus lábios? Para onde quero ir a seguir?

Sejam yogis: unam todos os bocadinhos perdidos dentro de vocês e descubram-se.

Com amor,
Joana


Começar a semana a agradecer


Tudo aquilo que damos ao mundo é-nos retribuído. Se o tratarmos mal, ele presentear-nos-á com dor, sofrimento, frustração. Se o tratarmos bem, a nossa vida fluirá com bem-estar. Por outras palavras, aquilo que cultivamos será aquilo que vamos colher. Mais que não seja, se não quisermos ver isto do ponto de vista da lei da atração, porque quando nos sentimos irritados e tristes fazemos com que a nossa visão fique turva, enervamo-nos, perdemos a calma e a racionalidade e bloqueamos. Que coisas boas conseguimos fazer quando nos encontramos neste estado? Nada.
Mas, quando cultivamos o bem dentro de nós próprios, quando nos preocupamos em compreender o nosso interior e o mundo que nos rodeia, quando olhamos para a vida com uma atitude positiva, conseguimos ter uma visão clara de tudo. Mesmo quando há algo que não nos corre bem, que não corre como nós desejávamos, que nos faz dar voltas de 180 graus, se procurarmos um porquê para o que aconteceu ter acontecido assim, se procurarmos uma lição a retirar, se nos preocuparmos em ser racionais ao invés de nos queixarmos, de nos maltratarmos e de maltratarmos o mundo, vamos conseguir encarar a nossa vida com clareza e tudo o que virá depois virá por bem. Cresceremos assim.
Este bem que deixamos que cresça dentro de nós chama-se gratidão. Quanto mais lhe damos, mais ela nos dá motivos para estarmos gratos por tudo o que temos. Quanto mais razões encontramos na nossa vida para estarmos mais gratos, mais razões vamos encontrando. Quanto mais vamos agradecendo, mais motivos nos vão sendo dados para agradecer. Porque estar grato é expressar aquilo que está dentro de nós: Ã© expressar-nos verdadeiramente.
E eu estou grata por me poder expressar.

Hoje, precisava de escrever isto. Hoje, precisava de ler isto.

Com amor, 
Joana

Joana on the green path: going veggie

Há mais de um mês que ando a pensar em iniciar a minha rubrica Joana on the green path, mas decidi que não havia melhor ideia do que esperar até ao mês de Março. Afinal de contas, este é o mês em que voltamos a encher-nos de cores: começa a Primavera, os dias ficam mais longos, o sol brilha e as árvores vestem-se de flores. A energia pesada do Inverno começa a dar espaço aos sorrisos leves que crescem com o calor e, por isso, Março é, assim, o mês perfeito para vos levar neste meu caminho por uma vida mais verde. Desde que me inciei no mundo do yoga que, por acompanhar de perto muitos outros exemplos, estudar e ler muito, fui também alterando outros aspectos da minha vida. A prática de yoga deixou de ser algo puramente físico e levou-me numa descoberta sobre as mil e uma maneiras de tornar este mundo um lugar mais feliz, transpondo as maravilhosas mudanças que acontecem dentro de mim para o exterior. Porque me sinto bem e feliz tenho também vontade de fazer o bem. Com pequenos passos, como usar produtos naturais para limpar a minha casa ou deixar de utilizar sacos de plástico para colocar as compras do supermercado, sei que posso contribuir para um mundo mais verde e, consequentemente, para um maior bem-estar de todos nós que aqui habitamos. Esta nova rubrica é a minha forma de vos contar mais sobre este meu percurso de aprendizagem constante e de criar, aqui no On Being Joana, um espaço em que todos nós podemos partilhar informações interessantes e úteis sobre uma vida mais ecológica. Parece-vos bem?



Joana Goes Veggie - A Journey

Para começar este meu caminho, decidi contar-vos a minha experiência pelo mundo do vegetarianismo. Na verdade, já tinha tentado deixar a carne por completo quando vim morar para Londres, porque aqui há mil e uma opções vegetarianas em qualquer restaurante e a carne, digam o que disserem, não é assim tão boa. Mas a experiência correu um bocadinho mal. Foi demasiada alteração ao mesmo tempo: um país mais frio, menos sol, sem família e vegetariana de um dia para o outro? O meu corpo entrou em colapso. Tinha quebras de tensão todas as manhãs e andava mais do que cansada: estava completamente exausta. Na altura, vivia com uma senhora que é piscetariana (ou seja, come peixe mas não come carne) e ela aconselhou-me a recuperar primeiro e a ambientar-me a esta cidade e a todas as alterações que a minha vida estava a sofrer e ler bastante sobre o tema e só depois, com consciência e calma, fazer as alterações que pretendia. Foi exactamente isso que fiz: primeiro, deixei a carne vermelha e enchi o meu prato de verduras. Continuei durante um ano a consumir carne branca e peixe. No início de 2017 senti-me preparada para tal e deixei de comer carne por completo. Neste momento, só como peixe. Já passaram dois meses desde esta grande mudança e, até agora, nunca me senti mal nem exausta nem tão pouco tive quebras de tensão. Sinto-me bem e, sobretudo, sinto-me feliz com a minha decisão. Ouço muito o meu corpo e deixar de comer carne foi uma consequência disso mesmo. Sinto-me melhor quando como alimentos de cores vivas e de sabores fortes que estimulam todos os meus sentidos. A carne, obviamente, não entra nesse grupo de alimentos. Sentir-me tão bem ao comer alimentos tão ricos e cheios da maravilhosa essência da Mãe Natureza fez-me compreender que esse é o caminho a seguir: sem justificações e grandes questões. Respirando. Respeitando o meu corpo. Porque tudo é um caminho. E porque esse caminho é para ser feito apreciando todos os seus altos e baixos. Com calma. Sei que, aos poucos e poucos, vou descobrindo cada vez mais alternativas saudáveis para este meu novo estilo de vida: porque, ao contrário do que se pensa, ser vegetariano nem sempre é ser mais saudável (sim, envolve grandes quantidades de hidratos de carbono!). E sei que, a pouco e pouco, vou ouvindo cada vez mais aquilo que o meu interior me conta. Por onde ir a seguir? Que melhorias fazer para estar mais perto da minha essência? O tempo responder-me-á. O importante é que tudo seja feito com equilíbrio, porque é equilíbio que quero para a minha vida.


Quem é que, por aqui, também faz dos legumes os seus melhores amigos? Quais são as vossas receitas preferidas? Quais os alimentos que não dispensam no vosso dia-a-dia? Quero ouvir a vossa experiência e partilhar aprendizagens e ensinamentos. Contem-me tudo!

Com amor, 
Joana

As pessoas que não são nossas


Acredito que todos aqueles que se cruzam connosco, ao longo desta nossa vida, aparecem com um propósito e ficam exactamente o tempo necessário para nos ensinar uma lição ou para nos levar até ao próximo patamar do nosso caminho. Há quem fique para sempre e há quem apenas nos acompanhe durante breves segundos, instantes onde trocamos olhares que falam sem voz. Seja como for, mais cedo ou mais tarde, descobrimos o propósito de cada pessoa, o porquê de ela ter aparecido - mais ou menos de surpresa. Demorou até que me apercebesse disso: há coisas que, provavelmente, só nos damos conta de que são como são com o passar dos anos. Já chorei muito por ver alguém partir, desaparecer da minha vida sem deixar qualquer rasto. Por vezes, a tristeza era tão grande que tentava a todo o custo voltar atrás no tempo, impedindo a pessoa de ir embora. Por causa disso, sei que levei muita gente à exaustão. A verdade, é que o apego e a dependência eram de tal modo fortes que, acreditava eu, não conseguiria sobreviver sem determinada presença no meu dia-a-dia. Um dia, depois de muitas lágrimas e de um coração constantemente em sofrimento, com medo de perder mais alguém, dei-me conta de que quanto mais forçava a presença de alguém na minha vida, mais sozinha me sentia, menos longe chegava, menos feliz estava. Lembro-me exactamente do momento em que, perdida nestes pensamentos, me propus a um desafio. Aconteceu durante uma viagem de barco entre o Barreiro e Lisboa, bem cedo, antes das aulas. Estava no final do primeiro semestre do primeiro ano da faculdade e sentia que tinha perdido todos os meus amigos, um namorado de quase três anos e, acompanhando a minha mudança de cidade, até a minha identidade tinha ido pelo cano abaixo. Mas, afinal, que desafio foi este? Simples: em apenas 25 minutos, a duração da travessia do Tejo, fiz uma lista de todas as pessoas que tinham passado pela minha vida, que eu achava que tinha perdido, e, em vez de as ver realmente como uma perda, escrevi à frente do nome de cada uma todas as coisas boas que trouxeram à minha vida. Fi-lo intuitivamente: não pensei que este pequeno desafio me levasse tão longe. Depois disso, foi mais fácil aceitar a partida de cada uma delas. Diria mesmo que - reconheço agora - foi nessa altura que perdoei muitas delas e me perdoei a mim também. Demorou até interiorizar os ensinamentos que esse dia me trouxe: foram precisas muitas mais decepções e lágrimas, muitas aulas de yoga para retirar o peso de cima dos ombros, muitas meditações em que a minha garganta se ressentia por todas as palavras que tinham ficado por dizer. Foi preciso uma viagem para um país estrangeiro. Sentir-me sozinha e perceber que a vida é um conjunto de surpresas felizes. Foi preciso, talvez até, chegar aqui. Ao momento presente. Ao momento em que escrevo estas palavras. Talvez ainda não tenha entendido completamente o significado que esse dia teve para mim. Talvez precise ainda de muitas mais listas, cheios de nomes de vidas que se cruzam na minha. Talvez seja uma apredizagem constante. Mas fica cada vez mais fácil: fica mais fácil quando percebemos que as pessoas não são nossas. Quando compreendemos as mensagem que cada uma delas nos traz. Quando olhamos para o passado e descobrimos que, sem elas, nao estaríamos aqui, mas que, ainda com elas, também não tínhamos chegado. Hoje, já não choro. Mas ainda dói quando me dou conta de que o tempo não volta para trás. Mas será que queria realmente que voltasse? Sei que não. Sei que todos os que saíram não deixaram de fazer parte de mim. Sei que carrego comigo um pedacinho de cada ensinamento por eles deixado. E sei que é porque uns partem que outros chegam, para abrir novas janelas dentro de mim e me dar a conhecer novos tons de cores que antes não conseguia ver. Por isso, agradeço: aos que foram, aos que ficam, aos que chegam e àqueles que ainda hão-de chegar. Porque a vida não traz nem leva nada que não estamos preparados para receber ou deixar ir. Porque nada acontece por acaso. 

Com amor,
Joana


De volta ao tapete, com o coração cheio de amor

Ainda na última publicação vos contei o quão difícil tem sido praticar yoga desde Março do ano passado. Nem sempre foi assim. Comecei a minha viagem pelo mundo dos asanas (posturas, em sânscrito) em 2010, em casa, praticando com o auxílio de vídeos que ia encontrando na internet, mas só em 2013 encontrei a pessoa certa para me ensinar realmente aquilo que há para além dos adho mukha svanasana (ocidentalmente conhecimento como cão que olha para baixo) e das chaturanga dandasana (ou, em português, flexões). A Marina, a minha eterna professora do coração, desafiou-me, ensinou-me a sentir o meu corpo e ajudou-me a descobrir tanto daquilo que sou. Por causa dela, conheci outras professoras fantásticas que tornaram este meu caminho num caminho de mais amor: um amor muito feliz. A BJ Galvan, a Susana Garcia Blanco, a Meghan Currie, a Jessica Green, a Reyes Sanchez e tantas outras almas bonitas e cheias de luz.


Como qualquer criança quando começa a aprender uma coisa nova, ou a descobrir dentro de si o seu potencial, eu andava nas nuvens. Queria conhecer tudo. Chegar sempre mais longe. Ultrapassar os desafios das posturas e da mente. Li, pratiquei, escutei, senti. Todos os dias um bocadinho mais. Entre 2013 e 2015, quanto mais escavava mais encontrava: foi uma descoberta pessoal, essencialmente, mas também foi uma descoberta de como podia utilizar o meu coração para viver com os outros, para aproveitar este mundo e tudo aquilo que ele me pode dar. Se olhar para trás, recordo-me desses dias como dias cheios de sol. De sorriso nos lábios.


Claro que nem todos os dias foram assim: às vezes, também sentia que o meu cérebro não me deixava ir mais longe, que se criava um bloqueio tão grande na minha garganta que até o simples acto de respirar se tornava difícil. Mas tinha consciência de que o meu coração estava apenas a libertar-se de tudo aquilo que o prendia: os medos e os momentos menos bons que se foram acumulando ao longo dos anos. No fundo, estes desafios eram, para mim, apenas a casca dura que construí à minha volta, como escudo de protecção, a partir-se.


Em 2015, depois de tirar um curso de yoga para crianças, de me mudar, de malas a abarrotar de esperança para um novo país e de conhecer a famosa Yoga Girl, simplesmente parei. Não estendi o tapete durante tanto tempo. Revoltei-me comigo mesma, primeiro por não conseguir juntar forças dentro de mim para simplesmente me sentar a ouvir o meu coração e depois porque comecei a duvidar da minha capacidade para voltar a fazê-lo alguma vez na vida. Entre Agosto de 2015 e Março de 2016, a prática foi intermitente. E nem sequer foi uma prática espiritual. Foi uma prática puramente física. Na maior parte das vezes, o objectivo não era mais do que tentar aliviar a dor que sentia nas costas ou tentar não perder os meus abdominais definidos. Hoje, olhando para trás, sei que esta curva no meu caminho enquanto yogini não foi mais do que resultado de ter deixado de gostar tanto de mim, de nutrir este amor próprio, de me valorizar. A base das minhas decisões deixou de ser o amor e passou a ser o medo: o medo de não ser suficiente. E, por causa disso, o tapete ficou arrumado a um canto.


O Yoga é um caminho. Um caminho de crescimento pessoal. Uma viagem por dentro de nós próprios. Uma união daquilo que somos com o nosso corpo físico. E, às vezes, nesse caminho há curvas, contracurvas, momentos em que nos questionamos sobre o seu verdadeiro significado. No fundo, acredito que a esses momentos se seguem momentos de grande expansão interior. E é exactamente isso que o meu coração vive neste momento: estou pronta para regressar. Estou pronta para aceitar o medo e responder-lhe com amor. Estou pronta para encarar todas as possibilidades magníficas que esta aventura comporta. E estou pronta para aceitar as respostas às questões que coloco ao longo do meu caminho. De sorriso nos lábios, porque o sorriso é a expressão mais pura daquilo que verdadeiramente sou. Somos.

Com amor, 
Joana

3 livros para ler este ano

Adoro comprar livros. Gosto de os ter na mão, de folheá-los, de me encher de expectativas. Gosto do os trazer para casa e de me sentar, acompanhada de um bom chá, a lê-los. Adoro seguir as aventuras das personagens, inspirar-me com frases simples, deliciar-me com ensinamentos preciosos. Sou assim desde que me conheço. Antes mesmo de saber ler, eles andavam sempre comigo: imaginava histórias através das imagens. Foi assim que cresci. Rodeada de livros. Leio no metro, à espera de uma consulta, antes de adormecer. E é frequente ler mais do que um livro ao mesmo tempo. Neste momento, por exemplo, O Livro do Hygge, The Silk Roads, As Primeiras Coisas e As Três Vidas são os livros que me têm acompanhado para todo o lado: consoante o estado de espírito, decido qual deles vai andar dentro da minha mala em determinado dia. Mas também há algo que tenho tentado fazer: dar-lhes uma nova casa, assim que acabo de os ler. Não só eles merecem ser partilhados como eu posso arranjar espaço para que outras palavras cheguem até mim. Deixo-os em autocarros, bancos de jardim ou à porta de casas. Por isso, se encontrarem um livro com uma mensagem dentro dele, de mim para vocês, não estranhem: levem-no convosco. Para além disso, em 2017, arranjei outra solução para a minha febre dos livros: em todos os outros anos, fiz uma lista interminável de livros que queria ler e acabei por cosnseguir ler apenas uma pequena parte. Síndrome de ratinho de biblioteca. Por isso, este é o ano de prioritizar. Escolhi três, sim, três!, livros que tenho - obrigatoriamente - de ler. Escolhi-os porque ou já me falaram muito bem deles ou eu tenho a sensação de que me fará muito bem ler. É isso que eu quero para o meu ano, certo? Felicidade e equilíbrio, aprendizagem e crescimento. A minha lista de livros para o novo ano tem exactamente de reflectir essa minha escolha de objectivos. 

Women Who Run With The Wolves, Clarissa Pinkola Estes
Neste livro, que nos fala de mulheres conscientes do seu poder e da sua força, mulheres livres, mulheres confiantes, fazemos uma viagem ao longo dos séculos, que nos mostra a forma como a sociedade, maioritariamente dominada por homens, condiciona e reprime a beleza de ser mulher. Quantas vezes somos inferiorizadas? Quantas vezes somos trocadas por homens, supostamente mais capazes? Este ano, um dos meus objectivos é também conectar-me mais comigo mesma e isso inclui conectar-me com o meu poder enquanto mulher, com as inifinitas possibilidades que isso traz ao meu ser e ao mundo. Através destas histórias sobre wild women, espero também eu ganhar consciência da minha capacidade de o ser.

{ Imagem retirada daqui }

Yoga-me, Filipa Veiga
A minha prática de yoga tem, desde meados de Março de 2016, sido uma montanha russa. Pratico muito menos e, quando o faço, sinto-me menos dedicada ao momento. Estar ali, no tapete, é mais um sacrifício do que propriamente uma aprendizagem e um avançar neste caminho que é o mundo do yoga. Sinto que, sobretudo, me falta inspiração. Hoje, este livro chegou a minha casa e eu pude, finalmente, experimentar novamente aquela sensação boa de chegar ao tapete, de saber que é o momento de estar comigo própria, descobrindo-me. Constatei novamente que não há nada melhor para me sentir capaz de voltar à prática do que uma yogini que eu admiro. Yogini esta que é também jornalista. Uma combinação perfeita. A Filipa Veiga trocou o ballet pelo yoga, Portugal por Bali e uma vida de jornalista pela serenidade de ensinar aos outros a calma que ela própria transpira. Já tive oportunidade de aprender com ela muito sobre aquilo que é ser jornalista e inspirar através das palavras, quando trabalhámos juntas para o Yogi Times. Agora, é a vez de descobrir com ela os segredos desta forma linda de viver - o Yoga. O livro reúne a história desta prática universal e da prática da Filipa, bem como um conjunto de sequências de yoga que podemos experimentar e um receitas nutritivas para fazer bem ao nosso corpo.

{ Imagem retirada daqui }

Sparkle Joy, Marie Kondo
Okay, a culpada de este livro estar na minha lista é a Mariana. No dia em que me encontrei com ela (e com aquele chá delicioso!), no Porto, falámos da Marie Kondo e das suas técnicas para libertar espaço nas nossas vidas para o que realmente interessa. Deixou-me logo curiosa. Quem me conhece, sabe que destralhar é uma das minhas palavras preferidas e o minimalismo é um dos valores base para a minha vida, que, embora nem sempre seja fácil de seguir, orienta-me o caminho. Para quê atafulhar a nossa vida de coisas, certo? Depois de estarmos juntas, li esta publicação no Chá&Girassóis e tornou-se óbvio para mim que o livro da Marie Kondo teria de ir obrigatoriamente para a minha lista de livros a ler em 2017. Ora digam lá que não é de querer ler: "destralhar tendo por base a alegria que as coisas nos transmitem", como escreve a Mariana, é a ideia princial do livro. Pensem só nas mudanças positivas que iam acontecer na nossa vida! (Querem saber o que é isto da arte de destralhar a casa e o coração? Em breve falar-vos-ei sobre o assunto aqui no blogue.)

{ Imagem retirada daqui }
Para mim, estes livros reflectem exactamente aquilo que eu quero atingir este ano. Não há espaço, em 2017, para que a negatividade retire a possibilidade de conseguir o que quero!

E por aí? Quais são os livros que não podem mesmo deixar de ler este ano?

Com amor, 
Joana

Shoot for the stars

E chegámos ao fim de 2016. Para ser sincera, adoro esta sensação desde que me conheço: a felicidade com que enterro um ano, relembrando tudo o que aconteceu de bom e retirando aprendizagens daquilo que correu mal. 2016 foi um ano estranho: talvez possa mesmo dizer que foi o ano com mais altos e baixos da minha vida, com mais surpresas, com mais tempestades mas também com mais arco-íris. Durante a primeira metade do ano, sinto que vivi num estado de euforia constante: se olhar para trás, só me lembro das cores com via os meus dias, das gargalhadas partilhadas, dos planos (demasiado) sonhadores que fiz para a minha vida, das histórias, do desprendimento, da liberdade que, de repente, senti dentro do meu ser. Depois, a maior surpresa de todas: um amor feliz, que não pedi que viesse. O maior amor que já senti dentro do meu coração. A felicidade mais pura que já partilhei. O personificação de um sentimento que todos os dias me agarra a essa felicidade, mesmo quando a tempestade fica mais forte. E, logo a seguir, a letargia: dia após dia, fui sentindo cada vez mais que me arrastava para epicentro de um tremor de terra e, com isso, chegou a sensação de que já não me reconhecia. Perguntei-me, tantas vezes, ao longo destes últimos meses do ano quem sou eu, para onde foi a Joana que era capaz de se sentir, de olhar para o seu interior, de levar avante os seus valores e ideais? Tenho a sorte de, mesmo assim, saber reconhecer sinais quando eles chegam e tenho ainda mais sorte por, sem pedir, eles me caírem aos pés, como revelações. E foi assim que, de um momento para o outro, bem no meio das ondas mais altas, consegui perceber que precisava de ajuda (Obrigada, Mariana! Obrigada, Sónia!). Afinal de contas, chorar faz bem, mas chorar todos os dias sem saber porquê não se recomenda a ninguém. Foi ao pedir ajuda que pude, finalmente!, sentir-me um bocadinho mais eu: a Joana de sempre. Foi ao pedir ajuda que me relembrei (posso agradecer-vos outra vez?) do quão bom é planear, decidir, arriscar, começar, atirar-me de cabeça e, sobretudo, sonhar. Voltei a sentir a presença de pessoas verdadeiramente inspiradoras e a desejar inspirar de novo aqueles que estão à minha volta. Hoje, fiz algo que já não fazia há muito tempo: sentei-me, em silêncio, fechei os olhos, respirei fundo, abri e coração e coloquei no papel (no meu lindo bullet journal) aquilo que quero para a minha vida daqui em diante: escolhi as palavras base para o meu ano - amor, estabilidade, equílibrio e aprendizagem - e diverti-me a pensar em como concretizá-las e torná-las em algo palpável, algo que, daqui a um ano, me faça pensar que sou a melhor pessoa que podia ser e que sou, sobretudo, FELIZ. Tudo isto não é fácil: dá trabalho, exige que pense, que sinta, que chore, que me revolte. Que acorde fantasmas antigos. E todos os dias são diferentes: há dias bons, há dias maus, há dias em que me convenço de que não consigo, de que não sou boa o suficiente, de que nunca vou conseguir. Mas, mais do que isso, vale a pena! Vale a pena sentir-me leve, sentir-me mais e mais realizada e perto de mim outra vez dia após dia. Vale a pena sentir que resolvo o que há muito tempo acumulo na minha pilha de problemas para resolver. Vale a pena descobrir quem sou verdadeiramente e qual é o meu papel no mundo. Vale a pena perceber que até mesmo os dias mais feios e cinzentos trazem com eles uma bagagem que podemos transformar em algo positivo, num ensinamento valioso. Cresço. Evoluo. E é por isso que, hoje, me sinto com tanta energia para correr atrás do que quero: 2017 está aí à porta e esperam-se muitos projectos novos, o regresso de projectos antigos, crescimento pessoal e muita inspiração para continuar este caminho. 2016 foi um ano, acima de tudo, necessário. Afinal de contas, às vezes é mesmo preciso parar, tocar no fundo e descobrir forças onde pensávamos já não existir nada para nadar até à superfície e reparar no quão belo é viver. 



Com amor,
Joana

Vamos fazer um bullet journal?

(Esta publicação já devia ter saído há dois dias, mas eu estou demasiado entretida a brincar com a Oreo.)
Sou uma pessoa de listas: há a lista de viagens que quero fazer, a lista dos sítios que quero visitar nessas viagens, a lista de compras, a lista de filmes para ver, a lista de livros para ler, a lista de objectivos anuais, de objectivos mensais, de objectivos diários, a lista de tarefas para o blogue, a lista das roupas que quero compras, e por aí em diante. Para além das listas, há ainda a imensidão de cadernos que as acomodam e as canetas coloridas que escrevem as escrevem. Faço listas porque gosto de colocar objectivos, porque gosto de saber por onde me guiar, gosto de escrever e, sobretudo, gosto de planear. Esta é a minha parte favorita do ano: a altura em que me sento à minha secretária, acompanhada de um chá quentinho, e me ponho a pensar em toda as possibilidades que o novo ano me traz e, depois, as coloco todas num dos mil cadernos. Mesmo que muitas vezes não consiga cumprir os objectivos a que me proponho, sei que se os colocar no papel a probabilidade de - pelo menos - tentar realizá-los é muito maior. Porquê? Porque adoro riscar coisas dessas listas! Ora, sempre que me apresentam uma nova técnica que promete ajudar-me a concretizar aquilo a que me proponho,  tenho de a experimentar. Foi exactamente isto que aconteceu quando descobri o conceito de bullet journal. Fiquei rendida. Coloquei logo na lista de coisas a experimentar em 2017. Ora, o que é isto de bullet journaling? Basicamente, é uma agenda moderna, que nos permite segmentar o nosso ano em categorias, de uma forma organizada mas, no entanto, criativa. Afinal de contas, é um DIY: somos nós que escolhemos o design, as cores, o tipo de letra, o método de organização. Somos nós que o fazemos. Do princípio ao fim. Quantas vezes, utilizando uma agenda normal, comprada numa loja qualquer, não damos por nós a pensar que gostávamos de ter espaço para organizar as nossas ideias de outra maneira, sem ser da forma mais formatada de sempre: de hora a hora. Utilizando um bullet journal deixamos de ter esse problema. Ele é exactamente o contrário de formatação. Estão curiosos? Deixo-vos aqui os passos que segui para fazer o meu para que possam tirar ideias caso queiram apostar no bullet journaling em 2017 também. 
Materiais
- Um caderno (pode ser de folhas lisas, quadriculadas ou pautadas, como preferirem);
- Canetas coloridas (convém que tenham a ponta fina);
- Caneta preta ou azul;
- Lápis;
- Caderno de rascunho;
- Régua. 
1.º Passo
Antes de começarem devem pesquisar sobre o que é o bullet journal, passar horas infinitas no Instagram e no Pinterest a inspirarem-se em outros bullet journals (juro que vale a pena) e, depois, testarem as vossas ideias no caderno de rascunho. Façam uma lista das categorias que querem incluir e da forma como querem organizar a vossa agenda. Testem a letra e o design. Testem as cores.  Decidam que ícones querem utilizar na vossa agenda: para poupar espaço e criar um efeito visual interessante, é aconselhado escolher símbolos para colocar na agenda propriamente dita. Por exemplo, para identificar uma data memorável, poderão escolher um coração. Para identificar uma tarefa, um quadrado, no qual podem colocar um visto quando a concluirem. E por aí em diante. Quando tiverem uma ideia geral da organização que lhe vão dar, peguem no caderno novo e metam mãos à obra!

2.º Passo
Comecem por fazer a página de contactos: deve conter o vosso nome, a vossa morada e o vosso número de telefone, juntamente com um número de emergência e outras informações que considerem úteis. A segunda página deverá ser o índice, para que saibam sempre onde encontrar cada categoria. Na terceira página, coloquem a legenda: depois de escolhidos os símbolos, expliquem o que cada um deles quer dizer. Podem ver os símbolos que escolhi na imagem abaixo.

A partir da quarta página, poderão colocar um grupo de páginas com espaço para fazerem as listas que normalmente colocam noutros cadernos. Isto é algo que ando a trabalhar: colocar tudo no mesmo local, para que esteja sempre tudo acessível quando eu necessitar e para que eu também possa planear todos os aspectos da minha vida em função dos meus objectivos. Por exemplo, eu fiz uma lista de livros para ler em 2017, uma lista de filmes que quero ver, a lista das quatro viagens principais que planeio fazer no próximo ano, a lista de compras (roupa, decoração, peças de lifestyle) e duas páginas de escrita livre, onde tenciono colocar ideias e frases soltas. Mas não é obrigatório seguirem estas ideias: podem, por exemplo, criar uma página de controlo de hábitos, em que colocam, diariamente, quantos minutos meditaram, quantas horas passaram na internet, quantos quilómetros correram, entre outros, para que possam gerir a vossa vida de acordo com esses hábitos e mudar algo, caso vos pareça necessário. Há mil e uma ideias no Pinterest. Dêem uma olhada. 


3º Passo
Antes de começar a dividir a agenda em meses e dias, coloquei um espaço onde defini os objectivos anuais. Escolhi 12 objectivos e tenciono trabalhar num por mês. Depois, dividi a agenda por meses. Em cada mês, coloquei a lista dos dias, para que possa escrever pequenas notas de eventos importantes e depois deixei uma página para fazer uma lista das publicações do blogue para esse mês. No entanto, vocês podem iniciar o mês da forma que vos fizer mais sentido: com uma lista de inspirações mensais ou de objectivos importantes para cada um dos doze meses do ano.

4.º Passo
Com base no design inicialmente seguido, deverão agora decidir como separar a página diária. Eu dividi tudo por caixinhas: a caixinha da to do list, ados gastos diários (para que saiba sempre quanto dinheiro saiu, entrou e ficou), a das coisas pelas quais me sinto grata em cada dia e um espaço para escrever o que entender (memórias importantes, tarefas que ando a adirar, entre outros). Em cadas domingo, criei também um espaço, a que chamei weekly goals, para que consiga sempre focar-me nos passos a seguir para os objectivos que pretendo atingir. Há ainda quem tenha uma espaço para frases inspiradoras, planos de treino, planos alimentares, entre outros. Basicamente, a ideia é criarem espaços consoante aquilo que o vosso dia contém, para que seja mais fácil organizarem-se.

E está feito o vosso bullet journal! Claro que o poderão decorar à vossa maneira, mais ou menos artístico. Eu comprei um caderninho cheio de borboletas e, portanto, não tive de acrescentar grandes toques de cor. Mas claro que há quem goste de fazer tudo mesmo from scratch. Não é difícil e fica muito mais barato do que muitas agendas. Ao todo, eu devo ter gasto umas £10, incluíndo caderno e um conjunto de canetas de cor. E diverti-me imenso a fazer o meu bullet journal.

Agora que vos contei todas estas técnicas, quero ver os vossos bullet journal para 2017. Vamos lá pôr tudo em ordem e fazer do próximo ano o ano em que passamos do papel à acção. 

Com amor,
Joana